quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Professora ingênua

Aula de história. Assunto: escravidão. "Vocês sabiam que era interesse da Inglaterra em acabar com a escravidão no Brasil, assim como em qualquer parte do mundo? Vocês podem ver que ela estava por trás de todas as leis e movimentos abolicionistas! A Inglaterra vivia em plena revolução industrial, dominando o mercado e precisava de clientes para comprarem seus produtos vendidos em seus empórios pelo mundo. Como escravo não tem salário, nem dinheiro, era preciso mudar a sociedade de escravagista para trabalhista livre. Vocês percebem que a partir da abolição da escravatura em 13 de maio de 1888, nosso Reinado começou a ruir e aguentou somente até 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República, porque ele era assentado em cima de um sistema escravagista? Vocês sabem quem assinou a Lei Áurea? Pois bem, foi a Princesa Isabel, esposa de um francês o Conde D'Eu!" Nisto uma aluna perguntou se ele dançava ballet e a turma pocou de rir. "Vocês riem à toa. Outro dia estavam rindo do retrato de Luiz XIV, o Rei Sol. Riam do sapato e da cabeleira dele. Parece que nem sabem que era a moda da época. Ainda falaram que ele gostava de desfilar numa parada!"
Para quebrar o desencanto, ela torpedeou: "Levantem a mão, aqueles que querem assistir à fincada do mastro de São Benedito!" Não houve uma que suspendesse no ar. Apenas em uníssono a turma respondeu: "É ruim, einh!"

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

JUIZ DE PAZ NA GUERRA

Naquele tempo, era fogão de lenha mesmo que mandava e decorava a cozinha de brasa acesa, com sua chaleirinha de café sempre quentinha na trempe.
O vendedor de lenha vinha com um carro atrás e seu filho na frente, com outro. Passando por uma rua, pararam, pois dois garotos estavam sendo apartados de uma briga infantil, por um juíz de infância. Coisas daquele tempo.
O filho do lenheiro entrou também no meio da fuzarca. O juíz de paz era enrolado até nas alturas e não pagava nada a ninguém.
Ele gritou: "Ei menino, você quer também ser levado pro juíz, junto com os outros dois? Eu nem te conheço menino!"
O lenheiro bradou lá de trás: "O senhor conhece sim, ele já vendeu vários montes de lenha pro senhor e até hoje não recebeu nenhum!"

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010