sexta-feira, 15 de julho de 2011

ITAGUAÇU - NUNCA DISTANTE

ITAGUAÇU NUNCA DISTANTE
(Em homenagem à Diretora ProfªAraci Maria Hell Andrade)

Aqui dentro do meu peito,
em cada batida de meu
romântico coração,
eu preciso te perguntar
Itaguaçu nunca distante,
por que fizeste de tua
praça aconchegante
a menina dos meus olhos?
E esta calma lendária,
de antiga arquitetura
da frente do teu
Grupo Escolar?
Ainda tenho meus
brinquedos guardados
no armário(do meu
inconsciente),
junto com umas mangas
rosas, quando saltava
o muro do Padre José!
As tuas duas torres
da Igreja,
são duas labaredas
beijando o céu!
Onde estão as crianças
da minha infância,
que vestiram minha
alma de seda
e cobriram minhas
lembranças de
franjinhas e de
tranças?
O teu colégio no
recanto de minhas
recordações,
guardava no fundo
o castelinho onde
a gente morava,
e de onde eu mirava
o fenomenal,
e as montanhas no
distante,
formando a alcova de
um camelinho,
que embora fosse maior
que a cidade,
não tem nada a ver,
pois eu era menor
de idade
e maior de bondade.
Para trás ficou
o castelinho, assim
como desapareceu o cine,
não tem problemas,
resolvo com facilidade,
pois os entrego em
nome da saudade de
pour Aline.
Te carrego anos
após anos, na minha
alma,
e por incrivel que
alguém pense,
embora não tenha
aí nascido,
eu nunca deixei
de ser itaguaçuense.

José Luiz Teixeira do Amaral

segunda-feira, 11 de julho de 2011

DOMINGOS MARTINS.... um poema

Adoro brincar,
brincar no hollos,
na sua pluralidade,
fechar os olhos e
viajar pela imensidade
do que está mais
perto de nós.
Brinco de ser sério,
apresento-me homem durão,
mas é só esbarrar em mim
e verão, que não faço
estátua por muito tempo,
em breve rolo no chão
como um menino brincalhão!
Não é brincar com a
palavra empenhada,
nem com os compromissos
marcados,
nem de dizer-te de longe
o que sinto,
pois com isto eu não brinco!
Brinco com o que há
de bom no mundo e nos
seus jardins,
embrenho-me no mais profundo
dos seus confins,
por exemplo, se bem que
exemplos não eram para
ser escritos e sim
guardados em caixas
de jasmins,
observando um inseto
e seus olhos de marfim,
sentindo as montanhas
tão perto,
sentado na praça de
Domingos Martins!

sábado, 9 de julho de 2011

ROSA DE SARON REENCONTRADA

Dizem que ando esquecido,
e que me perdi despercebido,
que já fui duas vezes
à esquina,
para ver se abria a janela
da avenida,
que já dei sete voltas
ao redor das muralhas
da vida,
para ver se estava mesmo
comigo!

Mas eu não abandonei
esta rosa!
Juro que não a esqueci
e nem ao menos deixei
de pensar nela um segundo,
de cada segundo que
ergue o grande tempo
deste mundo!

Com seu caule, me defendi
dos absurdos,
sem torná-los nulos.
Com seu perfume me
cobri e me perfumei
de unguento precioso,
e por onde passei, fui
forte com armadura e
escudos.
Com suas pétalas cobri
minhas pálpebras,
de onde me foi possivel
descobrir um pouco
de cada tudo.

domingo, 3 de julho de 2011

INSTANTES / José Luiz Teixeira do Amaral

Se eu tivesse que viver contigo
mais um instante,
não ficaria tanto tempo sentado
naquela cadeira,
e se tão imensa a praia,
te tomaria pelas mãos e sairia
a caminhar pela areia,
e deixaria cair sobre nós
a tarde inteira,
com seu banho de penumbra e
sua esteira de estrelas.

Eu não ficaria muito tempo
a conversar contigo,
tanto tempo do sol já ter-se
posto,
não ficaria a ver navios,
nem imaginar suas âncoras estáticas,
seria mais lúcido beijar teu rosto,
e misturar-me contigo, como o mar
se mistura com o céu no levante,
não nos deixaríamos à mercê do tempo,
se pudesse ficar contigo mais um instante!

Se voltasse a viver novamente
este instante,
com certeza tocaria em tua face
reluzente,
mergulharia na luz castanha dos
teus olhos,
e diria para a estrela mais
distante,
que sou simplesmente um
jardineiro,
que te olha com ternura
no olhar,
e cuidando de cultivar uma rosa,
conseguiu florir o mundo
inteiro.

INSTANTES/ JORGE LUIS BORGES

INSTANTES (VERSÃO EM ESPANHOL)


Si pudiera vivir nuevamente mi vida,
en la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido,
de hecho tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos,
haría más viajes,
contemplaría más atardeceres,
subiría más montañas, nadaría más ríos.
Iría a más lugares adonde nunca he ido,
comería más helados y menos habas,
tendría más problemas reales y menos imaginarios.
Yo fui una de esas personas que vivió sensata
y prolíficamente cada minuto de su vida;
claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás trataría
de tener solamente buenos momentos.
Por si no lo saben, de eso está hecha la vida,
sólo de momentos; no te pierdas el ahora.
Yo era uno de esos que nunca
iban a ninguna parte sin un termómetro,
una bolsa de agua caliente,
un paraguas y un paracaídas;
si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.
Si pudiera volver a vivir
comenzaría a andar descalzo a principios
de la primavera
y seguiría descalzo hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita,
contemplaría más amaneceres,
y jugaría con más niños,
si tuviera otra vez vida por delante.
Pero ya ven, tengo 85 años...
y sé que me estoy muriendo





INSTANTES (PORTUGUÊS)


Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser perfeito; relaxaria mais.
Seria mais tolo do que tenho sido; na verdade,
bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilhas,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente
cada minuto de sua vida; claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabes, disso é feita a vida, só de momentos,
não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas;
se eu voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço
no começo da primavera, e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vida pela frente.
Mas vejam, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo...


JORGE LUIZ BORGES , 1986, SUÍÇA.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

POETA ENVIA UMA CARTA/POESIA AOS JOVENS DE TODO O PLANETA

Conversando ontem com dois jovens, aliás dois maravilhosos jovens, ambos estudando cursos superiores, sendo um Direito e o outro Psicologia, eles me revelaram que estavam impressionados com o meu grau de conhecimentos diversos em vários assuntos. Confesso que naquele momento eu fiquei chateado, digo sinceramente, pois não me considero nenhum gênio e nehum sábio, fiquei até mesmo sem graça. Falei-lhes que a única diferença entre mim e algumas pessoas, é que sou aberto ao universo, à amplidão do cosmo e talvez isto me dê possibilidades de abarcar mais sentido à existência. Porém, resolvi responder-lhes através de um poema, o sentimento que aquele diálogo me envolveu. Vejamos abaixo:

CARTA/POEMA

Quiçá tenha eu somente a paciência
envelhecida da chuva,
a convivência repetida do calor solar,
a cosmociência recebida do brilho estelar,
enquanto vocês vem com a força da semente,
com o vigor do colorido na textura do fruto,
com o esplendor contido no sorriso emergente
da juventude inquieta, palpitante e salutar.
Quiçá conheça caminhos serpentuosos com
desfiladeiros íngremes,
e tenha aprendido com os tropeços a me equilibrar
sobre suas trilhas,
saiba dos ventos marinhos trazendo suas vagas
recordações das caravelas ancestras,
dos piratas escondidos em seus tombadilhos,
da solidão permanente de algumas ilhas,
momentos ancorados em descanso e empecilhos,
porém, vocês revigoram as seivas das manhãs novas
e reluzentes,
reeditam o proclama da união com a esperança de
um mundo melhor, mais dividido e balanceado numa
nova equação,
pois a minha relatividade ainda tem um sinal de
igualdade,
que lhes possibilita encontrar a unicidade na
diversidade da aventura.
Não posso tomar-lhes as mãos e conduzir-lhes até
às grutas do mistério,
porém, posso falar mais sério, mais sóbrio sob
alguns fios de cabelos brancos,
depois de caminhar alguns anos trazendo em rugas
o carimbo destas andanças,
que ainda me adentro por estas grutas, sem medo,
abandonando por completo o fio de Ariadne.
Quiçá, neste comportamento, talvez possa ensinar-lhes
que mais vale a pena procurar do que encontrar,
pois o achado poderia se transformar num mausoléu
de ilusões.
Esta diferença entre o mais velho e o mais novo,
sempre finda num resultado contraditório,
somos mais antigos nesta lição necessária
de que navegar é mais preciso do que viver,
no sentido de que tenha mais precisão, mais
preciosidade.
Mesmo que tenhamos ainda a bússola, o astrolábio e
o quadrante,
para se equilibrar sobre as tempestades e o desconhecido,
por esta razão, quem é instruido na arte de navegar,
sabe ser preciso, aprende que cada instante suplanta
outro instante e não é possivel nem é interessante,
querer segurar o mundo com as mãos.
Quiçá tenhamos saído do teclado da máquina de escrever,
do movimento repetitivo dos grãos socados no pilão,
de reescrever todos os dias a giratória de moer os
grãos de café, após torrá-los ao sopro das brasas ardentes,
de ouvir o murmúrio desabafado do moinho d'água trabalhando
a canjiquinha,
de buscar na bica a água nossa de cada dia,
e conseguimos num salto navegar com vocês
na amplidão da tela plana de um computador,
mas o que afinal de contas, podemos dizer?
Os anos nos ensinaram a traçar com os olhos
várias diagonais e ter a sabedoria suprema
de fazê-las todas divergentes partindo de direções
múltiplas e opostas, mas de uma forma dificil de explicar,
onde todas nascem do mesmo centro,
e este lugar central, torna-se o ponto de encontro
de todas as coisas,
mesmo todas aquelas que estejam em planos divergentes,
encontrando-se umas às outras num rítmo fora de si,
porque compreendi que a razão essencial do cosmo
é que seu centro está em todos os lugares ao mesmo
tempo e sendo ao mesmo tempo um único centro.
Quiçá esteja eu aberto a tudo isto.