sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Inspiração

Se o mundo começou pela palavra divina, nosso destino está no esplendor de cada verso de todos os poemas escritos ou inéditos. Este é o proceder que não encurta, não destrança o tricô do encanto, reorganiza o caos, faz da despedida um encontro, sem ser bobo pela vida, sem ser tonto, porque sabe como o rio percebe a chuva vindo pela montanha abaixo. Escrevendo poemas, falando em outra linguagem, aquela em que as fadas dançam, sublimam, embalam. Poemas vêem, perscrutam, passeiam, despranteiam, sondam a energia primordial, aquela das raízes e das sementes! Poemas pululam sobre as metáforas. Poemas são chamas, faróis, iluminam com seu luzir de cores e matizes as hipérboles girantes das galáxias! Poemas acalmam as ondas dos mares tempestuosos, para encontrar sentido nos símbolos e nos arquétipos e procurar pela melhor resposta, obedecendo uma rota circular, tão dócil de ser encontrada como dança original. Poemas ancoram em regatos tranqüilos nas páginas dos salmistas. Descobri surgindo no inverso o avesso do meu próprio caminho, onde pude me encontrar com o diverso, onde há uma sinapse eterna do princípio e do fim. Portanto, não há fim. Só há o girar permanente do aparente impermanente. O mundo é um perpétuo e maravilhoso absurdo do seu girar constante em um repetido pleonasmo. Uma questão de saber fechar o que resta de espaço na geometria de um sinal cósmico de interrogação.

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