terça-feira, 24 de outubro de 2017

Ah! Meu amor

Vou-me desfazendo, desfiando, cobrindo-me de uma túnica destecida, destecendo com uma pinça de ouro caminhando com sua pesada bota por todas aquelas tramas que fui me envolvendo da planta dos pés às raízes dos cabelos! Todas aquelas fontes sem água e sem vida onde me exauri bebendo as últimas gotas que pingaram em cada ancoradouro do meu deserto sobre os esqueletos de minhas tendas de couro e de meus camelos! Busco pelas chamas ardentes do fogo permanente, do grande, infinito, do sumo do verdadeiro amor! Sou como aqueles que no fim do ano vão se desfazendo de todas as suas bugigangas, vão lançando ao longo da planície junto aos gravetos dos pedaços de suas bacatelas seus rascunhos de dor e se dispõem a se dispor e para isso arregaçam as mangas e tal qual a mim, agora, que escuto o mundo passeando lá fora, escrevem inspirados ao suor, os versos de seu galante soneto para a amada distante a quem adora e deixa-o voar pelas janelas!

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