sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Homenagem a todos os poetas

Tudo é um grande mistério, mas é mister saber como se abre com doçura o fecho éclair da inspiração! Se o mundo começou pela palavra divina, nosso destino está no esplendor de cada verso de todos os poemas escritos ou inéditos. Este é o proceder que não encurta o viver e o espanto, não destrança o tricô do encanto, reorganiza o caos, faz da despedida um encontro, sem ser bobo pela vida, sem ser tonto, porque sabe como o rio percebe a chuva vindo pela montanha abaixo num instante. Escrevendo poemas, falando em outra linguagem, aquela em que as fadas dançam, sublimam, embalam. Poemas vêem, perscrutam, passeiam, despranteiam, sondam a energia primordial, aquela das raízes e das sementes! Poemas pululam sobre as metáforas. Poemas são chamas, faróis, iluminam com seu luzir de cores e matizes as hipérboles girantes das galáxias! Poemas acalmam as ondas dos mares tempestuosos, para encontrar sentido nos símbolos e nos arquétipos e procurar pela melhor resposta, obedecendo uma rota circular, tão dócil de ser encontrada como dança original. Poemas ancoram em regatos tranqüilos nas páginas dos Salmistas antigos em louvores que elevam aos céus. Descobri surgindo no inverso o avesso do meu próprio caminho, onde pude me encontrar com o diverso, onde há uma sinapse eterna do princípio e do fim. Portanto, não há fim. Só há o fluir permanente do aparente impermanente. O mundo é um perpétuo e maravilhoso absurdo do seu girar constante neste repetido pleonasmo. Uma questão de saber fechar o que resta de espaço na geometria de um sinal cósmico de interrogação.

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