segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Permanência

E quando as lembranças estão todas aqui? Quando palpitam como crianças balançando em gangorras dentro de uma imagem estampada na elasticidade da retina? Como fica quando as coisas estão aqui bem perto? Quando elas palpitam como o moinho invisível que movimenta nosso sangue nas veias, nossos hormônios nas glândulas, nosso ying yang, nossa manjedoura antiga com um menino a despertar nossos futuros passos pelo deserto! Podemos espanar o pó sobre os móveis ou bater os fios de cabelo sobre os ombros quando nos arrumamos para ir a uma festa. Podemos fechar as janelas para não passar o vento frio que chega como um viajante sideral. Podemos guardar os livros antigos no fundo da escrivaninha. Mas não podemos negar a existência de uma fresta, por onde não para de passar coisas antigas, dormidas, acordadas de um manancial. Pois fechamos as janelas, mas o vento persiste. Ausentamos no êxodo, mas a visita bate à porta. Sacudimos os cabelos soltos enquanto outros crescem. Espalhamos o pó enquanto outros pedem passagem. Guardamos os livros, mas as estórias permanecem! É como alguém que por um motivo qualquer anda tropeçando pelas pedras do mundo! Alguém que ao olhar todas as mulheres, sempre está a olhar uma única mulher, pois as outras são pano de fundo!

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