sábado, 18 de setembro de 2010

VEREADOIDO / VEREADOR DA DOIDEIRA

O cara era mais enfeitado que burro de cigano. Estava completo, enlatado para empaturrar o distrito e colorir o poente. Cirurgiando-o dos pés à cabeça, lá vai ele todo produzido: canivete corneta pendurado na presilha sobre a banda da bunda à direita, um espelho ovalado com uma figura repartida de uma sereia mestiça com miss missanga, na presilha da banda da bunda à esquerda, um cortador de unhas de lagarto na presilha da frente, camisa xadrez, calça tropical, chapéu de palhinha.
Uma botina vulcabrás ainda batizada de lama com estrume num barulho treco-treco pendurando pelos degraus da escadaria em direção à Igreja. Testemunha de casamento que chega atrasado, com certeza está prá lá de suado e soltando bafo de pintada pelas ventas.
A Matriz repleta dos santos fazer caretas, de São Sebastião esquecer de suas flechas alojadas no corpo e de São José quase deixar o menino Jesus cair na careca do padre, porque mijar já havia acontecido pela santa providência de uma goteira paciente no teto.
Do jeito que o homem chegou, o homem entrou como um asno engasgado com mamona. Mas onde se alojou? Certinho em cima do rabão do vestido da noiva. Com um empurrão de um boiadeiro, conseguiram tirá-lo de cima. Caiu sentado no colo de uma velha rezadeira, que lhe plantou uma mordida na orelha com dentadura de dezoito dentes e meio, sendo o arco de baixo em forma de serrote, além de enfiá-lo guela a dentro, um rosário de cinquenta anos de rola-contas.
Mas o cara continuou assim mesmo como testemunha. Afinal de contas como candidato a vereador não podia dar vexames.
Um menino gritou: "lá vai a noiva Vulcabrás!", enquanto sua calda deslizava pela nave paroquial, com o selo da botina borrada. Por incrivel que pareça, o noivo se chamava Brás, de forma que toda a roupa suja foi lavada em casa.
Assim, de batizados, casamentos, enterros e festas de aniversários o cara virou vereador.
Para Presidente da Câmara foi apenas um salto mortal de doideiras. A loucura no Legislativo foi tanta, que veio gente da República pra vistoriar o tresloucado. Examinaram a papelada toda e um promotor gritou: "O senhor merecia ir para um sanatório!".
O maluco não sabia o que significava isto. Tinha escondido por trás de uma santa padroeira na cozinha da Câmara, um pai dos burros completo.Em homenagem a ele, colocou o nome de seu jegue preferido de 'ORÉLIO'. Abriu o livrão. Mas não se lembrava do nome para onde tinha que ir...."ssss....se....sen......sena....SENADOR: alto representante da república brasileira!" "Nossa mãe, onde foi que o promotor me colocou! Alto político da minha nação!".
Voltou troteando: "Obrigado, muito obrigado, eu não merecia tanto!". "Merece sim, e com camisa de força!" "Nossa, o homem quer que eu seja promovido já!".
A doideira continuou a todo o vapor. O danado traçou um projeto revolucionário de abastecimento de água. Um engenheiro contratado avisou: "Presidente, o seu projeto desobedece a lei da gravidade!"
"Não tem problema não, nóis reuni a Câmara e faizi um projeto de lei mudando esta tá de lei da gravidadi!".
Prezado leitor, vou dar uma paradinha por aqui. Infelizmente o nosso Brasil é todo assim. A maior parte de nossos políticos nos matam de vergonha, mas mesmo assim continuamos a escolher os piores representantes de nossa Pátria. Vamos dar as mãos, pois está se aproximando a data de outra eleição e procurarmos fazer de tudo, para escolher pessoas dígnas que nos representem honradamente e que tenhamos orgulho de elegê-los. Um bom final de semana.

sábado, 11 de setembro de 2010

MAZZAROPI IMORTAL

O caipira é um Mazzaropi imortal. Mazzaropi foi um gênio, uma mistura casamental de Carlitos com Mané Garrinha. Melhor seria seu nombre soando "Mazzaritos". Leitores assíduos, nesta verduralíssima estória vamos rememorar o caipira. Porém, segura-se aí frente à tela do seu computador, senão você cai e pira. Ele não é nada bobo. Quando lá nos cantos de serra donde vim, um deles chegava numa venda, com sua dona ao lado, perguntava: "moço cuanto custa isto?" "é tanto!" "tudo isto moço?, eu só tenho isto aqui!" "Ah! vai por isto mesmo!". Assim o caipira ia comprando tudo pela metade do preço e levava em sua conversa miúda os turcos no embornal.
Um dia, um deles entrou na Matriz e ficou olhando tristonho para Cristo crucificado. No alto da cruz estava escrito a sigla latina INRI (IESU NAZARENUS REX IUDAEORUM), ele não sabendo o significado perguntou a um outro caipira, mais letrado: "Zé, quê quê tá scrito na cabeça do condenado?" "Óia Bastião, é INRI" "Quê qué dizê INRI?" "Óia Bastião é a aberviatura do carpinteiro que fez a cruz e se chamava INRIQUE!". Interessante quando foram na Capital e na beira da estrada viram aquele casarão bonito com um nomão galã de cara. "Zé, quê queê stá scrito lá?" "Bastião, é MOTEL!" "Quê qué moté?" Enquanto Zé pensava, um velho sentado atrás no ônibus sussurrou no seu ouvido:"É lugar de encontro de casais!" Zé olhou para Bastião e falou no seu ouvido: " Na nossa terra Bastião nós fazemu bobice atrás da moita. Aqui é muito grande, eles fazi no Moitel!".
Mas os anos passaram e Bastião resolveu de corpo e alma,com dois remendos na bunda, entregar-se a Jesus: virou evangélico. Venha como vier e deixe Jesus entrar! Já tinha aprendido a juntar palavras e gaguejar um alqueire de palavras sobre um livro.
O pastor mandou seu recado: "Bastião, si tivé arguma duveda, mi pregunta, tá?". Um dia ele chegou correndo: "Pastô Sálvio Pinto, Jesus era casado?" "Tá doido, Zé, onde tu tirô istu?" "Na biubla eu li: Jesus táva na cruiz e aos seus pé jazia a sua Tunica!" "Né Tunica não, é túnica uma capa que se usava naquele tempo!".
Duas semanas depois:
"Pastô Sálvio Pinto, casado eu sei que num era, mais ele era muito complicado e difici de se lidá!"
"Pelo amor de Deus, pu quê sê fala asi?" "Óia, li na biubla. Jesus vinha de jirico e entrou na cidade de jerusalé de jumentu. Que diferença faz ocê tá no lombu dum jirico e passá pru lombu dum jumentu?"
"Né jirico não Bastião! É da cidade de Jericó!".
Bastião baixou sua cabeça e jurou não falar mais nada. Até que um dia... "Pastê Sálvio Pinto, agora num dá não. Este tá de Paulo eu num quero lê não! Ocê sabi qui sou flamenguista e este homem só iscreve carta pros corintio!"
Bastião deu uma querentena de descanso ao pastor. Mas era inquieto demais. Não aguentava ficar sem uma real explicação.
"O sinhô sabe quandu Jesus vai vortá?" "Nem os anju do céu sabi, Bastião!" "mais divia sabê. Ocê já pensô si ele vié entre dezembro a março? Du jeitu caqui chovi, pastô, o coitadinhu vai moiá de dá dó!".
Se você amigo leitor, nasceu em uma cidade grande e não tem raízes interioranas, assista aos filmes de Mazzaropi e conhecerá mais de perto a alma sertaneja do Brasil. Também adquira obras de Guimarães Rosa, que trazem relatos e vivências importantíssimas sobre este assunto. Um abraço e um bom final de semana!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Olhar psicanalítico sobre a estória do êxodo

Segundo a Bíblia, Moisés é filho de AMRAM e JOCHEBERT, da casa judaica de Levi, da linhagem de Jacob e Abraão. O Egito temendo o número crescente de judeus, mandou matar todas as criancinhas. Seus pais o esconderam por três meses em casa e depois colocaram-no em um cestinho no rio, onde a filha do Faraó Seth I banhava-se. Moisés foi criado como príncipe, sendo muito amado por Seth I, que desejava fazê-lo Faraó, o que trazia a inveja de Ramsés II, seu filho. Posteriormente vou escrever uma maravilhosa narrativa a respeito de tudo isto. Porém, agora, o que me interessa é desvendar este mito, de forma espiritual. Vamos lá. Moisés somos nós mesmos. Temos nossos pais verdadeiros, essência do Ein Sof divino, mas desde cedo somos jogados no rio da vida, onde banha uma princesa que é nosso ego, parte de nossa personalidade. Nosso ego nos assume, mas em certo momento, tomamos consciência de nossa verdadeira essência e para escaparmos do egoismo total, somos obrigados a renunciar a tudo que a vida nos oferece, em outras palavras, precisamos de lutar contra o Faraó. O Egito representa a terra de nossa escravidão, ou o mundo ao qual estamos presos. Mas sairmos sozinho não adianta. Ir para Midian (outro lugar), se casar com Zípora (ter outras idéias) a filha de Jetro (o mundo do conhecimento), somente não basta. É necessário voltar e buscar os outros que estão escravos, isto é, estão presos também às obediências egoísticas. Aqui também cabe o Mito da Caverna de Platão, a estória mítica do apostolado de Jesus, etc. A saida para o deserto representa a coragem de começar tudo de novo, herança muito viva até hoje dos filhos de Israel. O manah, alimento que IAVÉ mandava todos os dias, significa o sustento espiritual que o Eterno derrama sobre aqueles que decidem mudar de vida. Moisés tinha dois irmãos: Myriam, que tem tudo a ver com a terra e Aaraom, espécie de sacerdote, ou forma de ligar-se da terra ao céu. A terra e o céu aparecem em diversas culturas mitológicas. Na cristandade surge entre Maria (terra) que engravida Jesus, por uma intervenção do céu (Deus). Aos pés do monte Sinai (Monte Horeb), os judeus ficaram quarenta dias esperando Moisés descer com o TORÁH, o ensinamento sagrado. Quando Moisés desceu, grande parte dos judeus adoravam a um bezerro de ouro (Boi Ápis). Moisés desce com um decreto do céu versus o povo adorando um produto da terra! Iavé decretou que nenhum daquela geração chegaria a Canaã, a terra prometida. Isto indica que devemos ter paciência, para que possamos receber todo o ensinamento e que também se ficarmos presos ao passado, não chegaremos a um estado superior de espírito. Nenhum dos nossos eus possessivos conhecerá o esplendor da divindade! Moisés vagou com seu povo, quarenta anos pelo deserto. Por aí se vê, que o trabalho em busca da iluminação espiritual não é rápido e nem fácil. Vamos pensar um pouco nisto? A palavra ÊXODO, ex - sair para - odus - fora, caminho, significa sair para fora, largar o lugar onde está. Ora, você quer curar a sua depressão? Então me escute. Saia para fora de onde está. Abra-se ao mundo, ao universo, a novas idéias. Faça boas alianças, reata seus laços familiares e sagrados. Faça como fez Moshe! Olhe o que Moisés fez: fez uma aliança com o ALTÍSSIMO, O EU SOU, IAVÉ! Mas também fez alianças com personas boas, como seu irmão AARAON e sua irmã MYRIAM. Não cortou seus vínculos ou laços. Antes de sair do Egito (da escravidão) reconheceu seus pais e abraçou seus irmãos, não passando por cima de seu povo. Pois bem, uma pessoa com depressão, se ajoelhar e pedir a benção do ETERNO, se reconhecer seus vínculos, saber-se inserido em uma família, em uma irmandade, se também atar laços com boas pessoas, que pensem positivamente, que construam novas oportunidades e abrindo-se a renovadas idéias e pensamentos transcendentes, com certeza a depressão não encontrará lugar para fundamentar suas raizes. Esta também é uma outra visão do mito do êxodo. Moisés manda construir uma ARCA DA ALIANÇA e dentro dela coloca as duas tábuas da lei, a vara de AARAOM e um vaso de maná. O que isto serve para a minha compreensão? Ora, a ARCA DA ALIANÇA é o seu próprio coração. É nele que você tem que guardar a revelação divina, a presença do sacerdote e o instante primeiro em que recebeu todas estas dádivas. Vamos pensar um pouco nisto?

domingo, 5 de setembro de 2010

HISTÓRIA DA MAÇONARIA NO www.joseluizteixeiradoamaral.blogspot.com

HISTÓRIA DA MAÇONARIA no www.joseluizteixeiradoamaral.blogspot.com. Não deixe de ler, pois também é um excelente documento de história.