O cara era mais enfeitado que burro de cigano. Estava completo, enlatado para empaturrar o distrito e colorir o poente. Cirurgiando-o dos pés à cabeça, lá vai ele todo produzido: canivete corneta pendurado na presilha sobre a banda da bunda à direita, um espelho ovalado com uma figura repartida de uma sereia mestiça com miss missanga, na presilha da banda da bunda à esquerda, um cortador de unhas de lagarto na presilha da frente, camisa xadrez, calça tropical, chapéu de palhinha.
Uma botina vulcabrás ainda batizada de lama com estrume num barulho treco-treco pendurando pelos degraus da escadaria em direção à Igreja. Testemunha de casamento que chega atrasado, com certeza está prá lá de suado e soltando bafo de pintada pelas ventas.
A Matriz repleta dos santos fazer caretas, de São Sebastião esquecer de suas flechas alojadas no corpo e de São José quase deixar o menino Jesus cair na careca do padre, porque mijar já havia acontecido pela santa providência de uma goteira paciente no teto.
Do jeito que o homem chegou, o homem entrou como um asno engasgado com mamona. Mas onde se alojou? Certinho em cima do rabão do vestido da noiva. Com um empurrão de um boiadeiro, conseguiram tirá-lo de cima. Caiu sentado no colo de uma velha rezadeira, que lhe plantou uma mordida na orelha com dentadura de dezoito dentes e meio, sendo o arco de baixo em forma de serrote, além de enfiá-lo guela a dentro, um rosário de cinquenta anos de rola-contas.
Mas o cara continuou assim mesmo como testemunha. Afinal de contas como candidato a vereador não podia dar vexames.
Um menino gritou: "lá vai a noiva Vulcabrás!", enquanto sua calda deslizava pela nave paroquial, com o selo da botina borrada. Por incrivel que pareça, o noivo se chamava Brás, de forma que toda a roupa suja foi lavada em casa.
Assim, de batizados, casamentos, enterros e festas de aniversários o cara virou vereador.
Para Presidente da Câmara foi apenas um salto mortal de doideiras. A loucura no Legislativo foi tanta, que veio gente da República pra vistoriar o tresloucado. Examinaram a papelada toda e um promotor gritou: "O senhor merecia ir para um sanatório!".
O maluco não sabia o que significava isto. Tinha escondido por trás de uma santa padroeira na cozinha da Câmara, um pai dos burros completo.Em homenagem a ele, colocou o nome de seu jegue preferido de 'ORÉLIO'. Abriu o livrão. Mas não se lembrava do nome para onde tinha que ir...."ssss....se....sen......sena....SENADOR: alto representante da república brasileira!" "Nossa mãe, onde foi que o promotor me colocou! Alto político da minha nação!".
Voltou troteando: "Obrigado, muito obrigado, eu não merecia tanto!". "Merece sim, e com camisa de força!" "Nossa, o homem quer que eu seja promovido já!".
A doideira continuou a todo o vapor. O danado traçou um projeto revolucionário de abastecimento de água. Um engenheiro contratado avisou: "Presidente, o seu projeto desobedece a lei da gravidade!"
"Não tem problema não, nóis reuni a Câmara e faizi um projeto de lei mudando esta tá de lei da gravidadi!".
Prezado leitor, vou dar uma paradinha por aqui. Infelizmente o nosso Brasil é todo assim. A maior parte de nossos políticos nos matam de vergonha, mas mesmo assim continuamos a escolher os piores representantes de nossa Pátria. Vamos dar as mãos, pois está se aproximando a data de outra eleição e procurarmos fazer de tudo, para escolher pessoas dígnas que nos representem honradamente e que tenhamos orgulho de elegê-los. Um bom final de semana.
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