terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Por que o homem saiu de cena?

Segundo seu neto, informações dadas ao pé de ouvido, ele era um homem comum, igual a qualquer outro. Bom pai de família. Bom marido e amigo incondicional de seus filhos. Tudo bem, era um ser do seu tempo. Trabalhava na roça o dia inteiro. Cuidava dela, diversificada entre o milho, arroz, feijão, legumes. Plantava o pomar em volta de casa. Tratava de galinhas e porcos e suas meia dúzias de vacas leiteiras. Seu moinho d'água fiava sem cessar pela correnteza morro abaixo. Sua engenhoca de cana, colocada no canto da estrada, era socializada para todos os viajantes que iam de um patrimônio ao outro. Aos sábados descia até ao patrimônio para jogar bola de pau com os amigos. Era assíduo em todas as festas e não perdia uma missa aos domingos. Inclusive levava o padre, em sua charrete, para almoçar em sua propriedade, uma galinha com quiabo.
A partir de um certo momento, tornou-se arredio e desapareceu do convívio permanente familiar e nunca mais foi à cidade, nem para ser abençoado pelo bispo semestralmente. Por que o homem saiu de cena? Esta é a pergunta fundamental e intrigante deste trágico acontecimento. Por que ele se afastou para sempre de todos e se escondeu de quaisquer pessoas que tentassem se aproximar dele?
Seu neto me desvendou toda a história, com o seguinte caso, embora também seja roceiro e não tenha conhecimento além do revelado pelo senso comum.
"Meu avô ficou deste jeito, desde que aqueles homens, isto há muitos anos atrás, estiveram aqui fazendo propaganda de um produto bom para matar formigas, o tal do DDD. Um veneno que mata de uma vez só todo o formigueiro e mata outros bichos também. Vovô chegou um pouco atrasado para a demonstração que foi no coreto da pracinha. Ele apenas viu o homem lá em cima do coreto, com um vidrão na mão falando: duas colheres disto no buraco do inseto, acabou. É só botar no buraco do inseto! Não fica mais nada vivo!
Daquele dia em diante Vovô Aniceto saiu de cena!"

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