sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A CASA GESTÁLTICA

Martha queria trocar de casa. Não suportava mais aquela mesma casa todos os santos dias. À noite, infelizmente, voltar para o mesmo lar. Que palavra bonita "lar", para um lugar tão feio como aquele.
Não suportava mais olhar por aquela janela, os pés de eucaliptos adornando o morro, com os abutres voando sobre ele. Uma poeira vermelha ruminava em torno deles, por um vento que vinha do leste. Quando o vento era do oeste, chegava a chuva e aqueles pés lá longe úmidos, causavam-lhe uma profunda depressão.
Além do mais, a casa era quente. Ninguém aguentava ficar dentro dela no verão. Até que um dia uma vizinha deu-lhe um conselho de abrir uma janela nos fundos, uma janela a mais. Ela mandou quebrar um pedaço da parede e colocou um janelão.
Por surpresa sua, percebeu umas montanhas distantes que nunca tinha visto. Eram azuis e esvoaçavam pássaros em seus píncaros. Martha passava parte do tempo olhando aquela bela paisagem.
Desviou o olhar de um foco central. Encontrou uma paisagem circular, periférica, mudou a direção de seus pensamentos.
Sua filhinha de tres anos, abraçadinha em suas pernas, lhe pergunta: "O que a senhora tanto vê aí mamãe?" Ela abaixa, levanta sua filha, a abraça e beija e diz: "Olha como é linda a paisagem!" Sua filhinha lhe dá um beijo de retribuição. Uma grande mudança, num ângulo apenas de cento e oitenta graus.

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