De maluco beleza você já se esgotou com as músicas de Raul Seixas, aliás quem as retirava da toca era o sábio Coelho, Paulo. Porém, hoje vou falar de um maluco tristeza. Olavo, depois dos setenta, começou a ler demais e tentar de toda forma ser filósofo. Delirava na praça entre o zumbir das pedras de dominó: " Bom pra vista é dinheiro, com dinheiro você compra tudo à vista! Só tem uma coisa que você pode fazer sem dinheiro: dívidas! Eu estava preocupado demais com meu sítio. Minha filha me levou para a praia. Não adiantou nada. Comecei a olhar aquela mulherada toda de bunda pra cima, de biquini no sol e me preocupei com o meu abobral rachando no calor do sítio! Lá em casa estava fervendo de formiguinhas na pia, a minha mulher colocou veneno demais, elas comeram o veneno todo e se transformaram em formigas cabeçudas! O meu telefone é muito trabalhador, ele está sempre procurando serviço. Quando eu estou dentro de casa, ele está fora de área e de cobertura, porque eu fico muito tempo dentro da sala!"
Um dia, ele endoidou de vez. Levaram-no a um psiquiatra que receitou-lhe diazepina. Tomou durante dois meses. Voltou ao médico. "O senhor parece que está melhor seu Olavo. O senhor está dormindo bem? e está se alimentando bem?" "Olhe, doutor, outro dia dormi das dez horas da noite às dez horas da noite do dia seguinte!" "Mas durante este período, quantas vezes o senhor foi ao banheiro?" "Não foi preciso doutor, eu fiz as necessidades mesmo lá na cama! Quanto a comer bem, eu também não posso reclamar. Outro dia, enquanto minha mulher saiu para ir ao supermercado, o gato siamês da vizinha entrou lá em casa. Eu estava com uma foma danada. Agarrei o cabeludo pelo pescoço, enforquei ele, preparei, botei no microondas e comi tudo de uma só vez! Eu tou tinindo, seu doutor!" Realmente o homem estava pronto, prontinho mesmo, da cabeça aos pés, para se internar no sanatório mais próximo!
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