domingo, 22 de abril de 2012

AH! NÃO!

francomacom - José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem Poeta, escritor, amante da música e da arte. Um ser humano muito simples em busca do significado profundo da vida, que é o amor, por onde a humanidade ganha sentido no exercício da fraternidade. Este Blog Link daqui Minha lista de blogs Este Blog Link daqui Minha lista de blogs domingo, 13 de fevereiro de 2011COLECIONADOR DE CALCINHAS Ele ficava rodando pelo parque. Olhar esguio, bochecha caida, camisa solta sobre a calça social e um tênis velho nos pés. Andava até "que a próxima vítima for você" aparecesse. Então ele começava a conversar: "Bom dia, a senhora está bem? Aqui é um lugar lindo! O ar é puro, parece que passou por dentro de um aparelho de ozônio!" "Eu também gosto muito daqui, moro no próximo quarteirão e quando posso venha me oxigenar um pouco!" "Minha senhora, eu quero ir direto ao assunto. Eu sou um colecionador de calcinhas! Tenho tantas calcinhas que dá para os ares se for preciso!" "Cruzes, mas que mania estranha!" "É minha senhora. Desde criança!" Ele se abaixa um pouco e mostra uma enorme cicatriz na cabeça: "Tá vendo?" "Mas isto foi feito por uma calcinha, só se for calcinha de aço!" "Não, minha senhora. Quando era adolescente, lá no interior, eu roubava as calcinhas dos varais! Olha aqui a minha orelha direita!" "Mas que tem a ver esta orelha rasgada por uma calcinha, nunca vi isto!" "Não, minha senhora. Eu estava falando que roubava as calcinhas dos varais. Um dia, um homem me viu pela janela dos fundos, eu fui correr e minha orelha agarrou numa ponta amarrada do arame do varal. Ele veio com um pedaço de pau e bateu com tudo na minha cabeça! Hoje, eu não roubo. Eu peço gentilmente, igual estou te pedindo para me dar sua calcinha!" "E se eu tiver sem calcinha como eu posso te dar?" "Aí a senhora vem amanhã aqui e me traz uma!" "E que de bom isto te faz!" "Me ajuda muito minha senhora. Eu tomo muito remédio: rivotril, olcadil, alprazolan, protax, diazepina, diazepan, valium, valix, somalium, etc. e colecionando calcinhas eu me acalmo!" "O senhor precisava de um tratamento psiquiátrico mais poderoso, para tirar isto de sua cabeça!" "Minha senhora, eu já tenho identidade e cpf falsos!" "Falsos, mas por quê?" "Para eu comprar os remédios!" "Mas não precisa de documentos falsos pra comprar os remédios depois que o médico autorizar!" "Mas vou ao médico com eles também!" "Por que você não usa os seus documentos mesmos?" "Usar, como, se eles ficaram todos lá no hospício, depois que com muito custo consegui fugir dele! Ainda passei na lavanderia e roubei todas as calcinhas, inclusive as da enfermeira-chefe" "Mas como o senhor sabia que eram delas?" "Ah! minha senhora, sou tão especialista em calcinhas, que mesmo no escuro eu guardo suas impressões!" Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 02:17 0 comentários Links para esta postagem sábado, 12 de fevereiro de 2011LAJOTA HUMANA Você sabe por que criaram as senhas para os Bancos? Não? São criações recentes. Há pouco tempo atrás, quem mandava era a fila. Muitas vezes elas davam diversas voltas tipo um labirinto dentro do Banco. Era a maior dificuldade para quem tinha a bunda grande. A senha foi inventada por causa de uma lajota! Agora imaginem meus irmãos: uma lajota! O peão chegou nervoso e apressado dentro do Banco, lá pela undécima volta da fila e gritou: "Olha aí, sou eu, sou eu!" A mulher perguntou: "Mas como pode ser você, se você não estava aqui?" "Aqui sou eu sim, eu ficava na frente da senhora e me jogaram ali, perto da lixeira!" Apontando uma lajota. A mulher replica: "Na minha frente tinha um homem que saiu não sei por quê!" "Pois é! Pedi a ele que fosse empurrando aquela lajota com os pés, pois eu estava na frente dele e a lajota ficou me representando, marcando meu lugar, enquanto fui lá fora comprar um pastel e tomar um caldo de cana!" Um homem que estava atrás reclamou: "Assim é fácil. A gente vem com uma lajota debaixo do braço, manda alguém ir chutando ela, quando notar que está chegando perto do caixa, a gente vem correndo e diz: esta aqui sou eu!" "Mas esta lajota sou eu mesmo. Eu deixei ela no meu lugar!" O outro ficou muito nervoso, apanhou a lajota e largou na cabeça do peão: "Já é você mesmo, que se juntem os dois!" A confusão dentro do Banco foi aos últimos pontos do IBOPE e também aos últimos pontos na cabeça do peão, onde a lajota abriu uma brecha. Agora minha gente, é a senha. Mas cuidado para que não seja assenhada! Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 15:29 0 comentários Links para esta postagem RAINHA DA PARADA GAY Jakeline para os íntimos e Jak para seu onassinarcisismo, intelectual-mor da rapaziada da Rua Viriato, resolveu encarar a parada. Mas ele não entrava para perder. Já era campeã de ganhar tudo desde cedo. Era ambicioso. Sonhava grande e até chamado de megaylomaníaco. Foi buscar na história geral a sua inspiração. Fez uma salada completa. Não há dúvidas que era bom cozinheiro. De Nero retirou a coroa de louros romano. De Júlio César a toga, tão curta que aparecia a calcinha rosa. Em Luis XV sugou seus sapatos de salto alto e o meio cruzar das pernas. De Napoleão, um olhar encantador. De Hitler, suas mãos na cintura, quando estava diante de seus milhões de jovens enfileirados. Até de Mussolini ele roubou um gesto. Nem papa ele perdoou. Inclusive em holwood buscou motivos para a fantasia. Lá não faltam cowboys que balançam o bumbum para subir no arreio. O início da parada foi às 13:00 hs. O final às 18:00 hs, quando diante do júri seria informada a decisão final. Jakeline ganhou geral. Ganhou fundo! A festa continuou. Só dava Jakeline, só dava Jakeline, só dava Jakeline! Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 04:07 0 comentários Links para esta postagem quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011CHUVA DE ESCREMENTOS O casal estava a fim de comprar uma casa em um balneário. Não posso falar o nome, por uma questão ética. Praia bucólica, pedra para pescar, infraestrutura de primeira qualidade. Foram ver a casa com a própria dona. Enquanto a mulher olha a casa, área de serviço, etc. o marido desapareceu no quintal. "Ah! meu Deus, Paulinho sumiu. E o pior de tudo é que não saiu do quintal. Pois os portões estão fechados e as chaves estão ali sobre uma cadeira na varanda!" A dona da casa ficou doida. Olhava para todos os lados. Será que Paulinho pulou o muro? Não, isto não seria possível, pois o marido da Luzia que é caminhoneiro está em casa! Então onde se enfiou Paulinho? Será que ele foi abduzido por uma nave espacial? Também fora de cogitações, pois os discos voadores só passam pelos céus naquela região, depois da meia noite. Nisto escutaram um gemido triste. Foram andando, andando pelo quintal e finalmente descobriram que Paulinho caiu na fossa da casa, quando pisou em cima de sua tampa que estava podre. Jogaram uma escada de madeira, através da qual ele conseguiu atingir a superfície. Estava mais em-merdado que porco de girau. Lá mesmo tomou o banho, trocou de roupa. Passado o susto, ficou para o dia seguinte acertar a compra ou não da casa. Foram dormir num hotel, segundo informações, era super seguro, vigiado por forte esquema de segurança e cães adestrados. Escolheram o último andar. Uma imensa suite imperial, com vista para o mar. Por volta das vinte e duas horas começou a chover. Chovia sem parar. Chovia para o milênio inteiro. Descia água pelas luminárias e pelas rachaduras do teto de gesso, sobre o casal. Perceberam que não era água puramente cristalina de chuva e sim água em-merdada de cachorro, pois o teto do apart era onde instalaram o canil. Ficaram todos em-merdados, inclusive as roupas também. No dia seguinte, após inúmeros banhos com hipoclorito de sódio, mandaram comprar roupas no balneário e se despediram. Paulinho que era poeta, resolveu fazer uma declaração na saída: "Aqui não gastarei minha verba! Adeus, Adeus para sempre balneário! Caí e molhamos na merda , mesmo escondidos no armário!" Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 11:55 0 comentários Links para esta postagem quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011O CIRCO DOS HORRORES O circo chegou na cidade com aquela zoeira toda. Deu uma volta olímpica para apresentar seus artistas, desde homens com pernas de pau caçando fantasmas nas nuvens, até anões catando pulgas nos cães e gatos de ruas. O circo era completo. O leão urrava de sacudir a cidade e o pior é que urrava de fome mesmo. A girafa espichava seu pescoço por cima do alambrado, o que não agradou muito às damas da vida do beira rio. O macaco giló subia numa corda e dava um nó e depois descia com o rabo e o ó. O palhaço era tão engraçado que mesmo depois que tirou a máscara fez uma mulher doida desmaiar de tanto rir. Primeiro dia de espetáculo. Vem um homem soprando e engolindo fogo e soltando brasa pelas ventas. Muita gente pensou que ele era de outro mundo. Em seguida um sujeito numa moto rodou dentro dum globo e saiu de lá de cabeça pra baixo andando com os braços e pedindo aplausos com as pernas. O elefante dançou imitando Tim Maia. Teve artista do chicote, vestido de Zorro, jogos de facas, mulheres sumindo na caixa. O pior de tudo que só era mulher bonita. Mas chegou a hora do gigante. O homem tinha mais ou menos dois metros e meio de altura. Estava vestido de Ben Hur, com um saiote romano curto e com certeza pela musculatura botaria o incrivel Hulk a correr. O apresentador gritou: "Quem lutar com ele e vencer, ganha mil!" O silêncio dominou a platéia. Um vento gélido varreu as arquibancadas e as cadeiras. Nisto, Sebastianinha, a paraibana, pulando de tábua em tábua, alcançou o palco e berrou: "Eu topo lutar com este brutamonte!" Todo mundo ficou atônito, inclusive o gigante que se aproximou dela, abriu as duas pernonas e deu um urro de Tarzan. Foi aí que Sebastianinha, mulher esperta do sertão, aproveitou o lance. Numa virada de gênio, com as duas mãos em agora ou nunca, agarrrrrrrroooouuuu com foooooorrrrrrrça nos testículos do gigante, que foi se arriando, arriando, arriando, suando, suando, sentando, sentando, até sentar-se desfalecido e desmaiado no palco. Sebastianinha passou a mão na nota de mil e gritou pra todos os presentes: "Foi assim que eu castrei o Raimundo, despois do chifre que levei!" Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 14:24 0 comentários Links para esta postagem O HOMEM QUE VIROU O DISCO Primeiro ele colocou um brinquinho dourado na orelha esquerda. Ah! Esqueci-me de dizer que ele era casado. Depois colocou outro brinquinho prateado na orelha direita. Resolveu mudar por completo o penteado. Preferiu o estilo morena praia mamãe eu vou sai pra ficar. Largou de lado o uso de camisa polo, preferindo os camisões rendados que lhe cairam muito bem. Já lhes disse que o homem era casado. No lugar de calças jeans, preferiu usar umas pantalonas tipo cacique sheyane, e ninguém pode lhe criticar de tão legal que ficou. Deixou de usar sapatos e passou a usar mocassim. Podemos dizer que fez uma transformação geral. O homem era casado? Sim, casado com outro rapaz, que por sinal é muito educado. Já fez mestrado em linguas e fala, lê, escreve fluentemente o francês. Seu hobby preferido: dançar ballet. Meus amigos, ele vivem maravilhosamente bem. Se não sofrem a dor do parto, com certeza sofrem a dor do farto. Estão fartos de serem incompreendidos. As pessoas devem entender que cada um carrega na costas o peso que escolheu. HUMANIDADE A humanidade é um grande corpo. Nós somos a pele, a superfíce consciente do planeta. A humanidade é como se fosse um grande homem cobrindo a terra. Cada parte de seu corpo é uma região. Cada órgão é um corpo. Cada corpo é uma célula. Cada célula é um ser. O ser que se corrompe, altera o órgão, enfim, afeta todo o corpo. O ser que está em sintonia colabora para a harmonia e equilíbrio de toda a humanidade. Vamos ter em nossas mentes, pensamentos de amor e paz. Somos responsaveis pelo Planeta Terra. ASSALTO ÀS 10:30 HS O assalto foi exatamento às 10:30 hs. Seu nome: não adianta, a polícia sabe que ele deu qualquer nome. Ou ter várias carteiras de identidade. Sobrenome? Procurar por ele é procurar agulha no fundo do mar. A célula social, a família, foi ferida em seu centro mais oxigenado. Era da periferia? De qual periferia? Da Periferia da cidade ou da periferia social? Houve caos no shopping? O que é o shopping? Uma cidade fortificada, envidraçada, repleta de lojas, de materiais de consumo, de diversão, é isto o shopping? Mas o indivíduo? Como está o indivíduo? O trabalhador tem dinheiro no bolso para abastecer-se no shopping? Como transformar um assalariado em um consumidor impulsivo? Até onde o capitalismo selvagem vai aguentar as duas pontas da corda sendo puxadas para lados diferentes? Quem irá vencer o duelo? Há um caos agora no shopping às 10:30 hs? Sim, não podemos negar que há um caos em todas as horas do dia dentro de nossa sociedade, chamado de caos social. O assalto? Sabe quem foi o responsavel pelo assalto? O primeiro homem que cercou um terreno e disse que era dele! MALUCO ELEVADO AO QUADRADO De maluco beleza você já se esgotou com as músicas de Raul Seixas, aliás quem as retirava da toca era o sábio Coelho, Paulo. Porém, hoje vou falar de um maluco tristeza. Olavo, depois dos setenta, começou a ler demais e tentar de toda forma ser filósofo. Delirava na praça entre o zumbir das pedras de dominó: " Bom pra vista é dinheiro, com dinheiro você compra tudo à vista! Só tem uma coisa que você pode fazer sem dinheiro: dívidas! Eu estava preocupado demais com meu sítio. Minha filha me levou para a praia. Não adiantou nada. Comecei a olhar aquela mulherada toda de bunda pra cima, de biquini no sol e me preocupei com o meu abobral rachando no calor do sítio! Lá em casa estava fervendo de formiguinhas na pia, a minha mulher colocou veneno demais, elas comeram o veneno todo e se transformaram em formigas cabeçudas! O meu telefone é muito trabalhador, ele está sempre procurando serviço. Quando eu estou dentro de casa, ele está fora de área e de cobertura, porque eu fico muito tempo dentro da sala!" Um dia, ele endoidou de vez. Levaram-no a um psiquiatra que receitou-lhe diazepina. Tomou durante dois meses. Voltou ao médico. "O senhor parece que está melhor seu Olavo. O senhor está dormindo bem? e está se alimentando bem?" "Olhe, doutor, outro dia dormi das dez horas da noite às dez horas da noite do dia seguinte!" "Mas durante este período, quantas vezes o senhor foi ao banheiro?" "Não foi preciso doutor, eu fiz as necessidades mesmo lá na cama! Quanto a comer bem, eu também não posso reclamar. Outro dia, enquanto minha mulher saiu para ir ao supermercado, o gato siamês da vizinha entrou lá em casa. Eu estava com uma foma danada. Agarrei o cabeludo pelo pescoço, enforquei ele, preparei, botei no microondas e comi tudo de uma só vez! Eu tou tinindo, seu doutor!" Realmente o homem estava pronto, prontinho mesmo, da cabeça aos pés, para se internar no sanatório mais próximo! MENSAGEM DE FRATERNIDADE Naquele sabath, Rabino Youssef estava demasiadamente inspirado: "Quando eu comecei a aprender a ler na antiga e famosa Cartilha Sodré, o a, deixou de ser a, o p de ser p, o t de ser t, o ene de ser ene, o d de ser d e abaixo de uma enorme pata branca sobre um lago, estava escrito: a pata nada. Cada letra renunciou-se a si mesma, para no contexto criar a pata e colocá-la a nadar. As letras separadas não poderiam fazer este milagre, porém juntas construiram um cenário. Da mesma forma como no reino da linguagem, quando nós renunciamos a nós mesmos e nos envolvemos amorosamente uns com os outros, nós construimos o universo e edificamos um mundo que se apresenta vivo, maravilhoso e se movimenta para o bem estar de todos." PERDOAR É UM EXERCÍCIO Certa vez, estávamos à porta da Sinagoga Bnei Avraham e um de nossos irmãos comentou com o Rabino Youssef: "Rab, a coisa mais dificil para mim é perdoar. Embora nós temos aprendido isto desde os tempos mais remotos, mas meu coração não consegue perdoar!" O Rab olhou mansamente para ele e respondeu: "Perdoar é uma questão de exercício. Como foi que você começou a andar? Não foi dando os primeiros passinhos, levantava, caía, tropeçava, andava... não foi assim? Como foi que você começou a falar? Primeiro você balbuciava alguns sons, depois alguns as, alguns os, pa, papai, ma, mã, mamãe, etc... Perdoar é uma questão de exercício! Comece a perdoar os pequenos maltratos que você recebe. Perdoe um hoje, outro amanhã, depois de amanhã...um dia você estará tão treinado que será um expert na arte do perdão!" RABINO YOUSSEF E SEU CONSELHO Este foi o conselho que o Rabino Youssef me deu: "Faça de tudo para que esteja sempre em paz contigo mesmo. Você pode fugir de todos os seus inimigos, se esconder num abrigo seguro e dormir profundamente. Mas você não conseguirá nunca fugir de si mesmo. Não há travesseiro macio, nem colchão de molas, que dê um sono profundo, a quem tem a consciência pesada" A CASA GESTÁLTICA Martha queria trocar de casa. Não suportava mais aquela mesma casa todos os santos dias. À noite, infelizmente, voltar para o mesmo lar. Que palavra bonita "lar", para um lugar tão feio como aquele. Não suportava mais olhar por aquela janela, os pés de eucaliptos adornando o morro, com os abutres voando sobre ele. Uma poeira vermelha ruminava em torno deles, por um vento que vinha do leste. Quando o vento era do oeste, chegava a chuva e aqueles pés lá longe úmidos, causavam-lhe uma profunda depressão. Além do mais, a casa era quente. Ninguém aguentava ficar dentro dela no verão. Até que um dia uma vizinha deu-lhe um conselho de abrir uma janela nos fundos, uma janela a mais. Ela mandou quebrar um pedaço da parede e colocou um janelão. Por surpresa sua, percebeu umas montanhas distantes que nunca tinha visto. Eram azuis e esvoaçavam pássaros em seus píncaros. Martha passava parte do tempo olhando aquela bela paisagem. Desviou o olhar de um foco central. Encontrou uma paisagem circular, periférica, mudou a direção de seus pensamentos. Sua filhinha de tres anos, abraçadinha em suas pernas, lhe pergunta: "O que a senhora tanto vê aí mamãe?" Ela abaixa, levanta sua filha, a abraça e beija e diz: "Olha como é linda a paisagem!" Sua filhinha lhe dá um beijo de retribuição. Uma grande mudança, num ângulo apenas de cento e oitenta graus. A QUEDA QUASE MORTAL Ela foi caindo, caindo, caindo... A tábua não suportou seu peso. Chegou bem ao fundo do poço. Os pedaços da tábua cairam depois. Seus caracteres não se suportaram mais. Sua forma não cabia na nova realidade. O entalhe da tábua faliu com os outros entalhes. Com certeza todos os outros cairam também. Foram ao fundo. A tábua era monótona e monóloga. Só servia para um determinado tipo de pessoa. Era o protótipo de uma sociedade exclusivista. A questão agora é sair do fundo do poço. Só será possivel dando as mãos aos outros que estão também por lá. Desmoronou a época do meu e chegou o tempo do nosso. Só conseguiu sobreviver quem aprendeu a estender as mãos. BANCO/ BÂNICO A dupla de assaltantes era inteligentíssima. Primeiramente roubaram um carro. Perto do Banco havia um poste com um transformador e bateram com toda força nele. Saiu fogo pra tudo quanto é lado. Depois da calmaria, as pessoas se aproximaram para ver o acidente. Um DPJ ao lado ficou vazio, pois até mesmo os policiais foram ver o carro batido. Enquanto isto, os ladrões aproveitaram o momento surpresa, renderam os guardas do Banco, entraram e começaram a encher os malotes de dinheiro. Lá fora, o transformador começa a pegar fogo. Houve pânico. Além das portas giratórias, o Banco tinha portas externas de aço. Todas elas travaram. Ninguém saia do Banco. Os ladrões apavoraram. Todo o crime foi premeditado. Mas nem todo crime é perfeito. Tentaram sair pelos fundos do Banco, mas não tinha saída. Embora cheio de dinheiro, o Banco estava sem fundos. A polícia fez o cerco e dos dois foram presos, sem nenhuma gema de ouro, ou melhor, cheios de algemas. Postado por José Luiz Teixeira do Amaral/Adameve El Salem às 13:41 0 comentários NEM TODO LADRÃO É ARTISTA O indivíduo chegou ao Banco. Atravessou a porta giratória e ainda cumprimentou o guarda. Esquivou-se entre os clientes e apanhou uma senha para falar com o gerente. Levou quarenta e cinco minutos. O relógio marcava precisamente 11:05 Hs. Sentou-se calmamente e começou a falar: "Sr.Gerente, a partir deste momento, não atenda nenhum telefonema. O Sr. mora no Edf.Galaxe,55 e sua esposa com seus dois filhos, um menino e uma menina, estão em nosso poder, desde quando quando sairam para a Escola às 8:30 Hs. O Sr. saiu às 7:30 Hs. Eles estão com meus colegas sequestradores em um determinado local. O Sr. simplesmente chamará o tesoureiro e colocará um milhão de reais em dois malotes, levará até lá fora comigo, conversando como se fôssemos amigos. Se ocorrer qualquer coisa errada, a sua família morre." O gerente respondeu-lhe: "Pode ficar tranquilo. Isto vai levar um tempo. Mas preciso de telefonar daqui para o tesoureiro lá dentro, de forma que ele prepare todo o material conforme está pedindo. Quando o tesoureiro chegar aqui, dentro de meia hora, peço que você explique a ele também, o que está ocorrendo, pelo menos para salvar minha pele diante da Diretoria do Banco. Certo?" O ladrão acena: "Combinado!" Dentro de quinze minutos a polícia invade o Banco e prende o larápio. O gerente possui um botão sob a mesa, que ao pisá-lo é codificado pela polícia como assalto. Mas porque o gerente arriscou tanto? Vejam. É óbvio que ele mora no referido prédio. Só que são dois gerentes que vivem no mesmo andar. Eles são casados com gêmeas. Mais uma coincidência: ambos tem um casal de filhos parecidíssimos: uma menina e um menino. A mulher dele está de férias em Búzios com as crianças. A cunhada, sim, saiu às 8:30 Hs e foi realmente à Escola, para tratar de diversos assuntos referidos aos seus filhos e aos sobrinhos. Quando o ladrão sentou-se em sua mesa para ameaçá-lo, a cunhada tinha telefonado cinco minutos antes, informando todas as medidas que ele deveria tomar para rematricular seus filhos. Ele percebeu imediatamente o golpe e não pensou duas vezes: pisou no botão. O vagabundo? Pisou na bola! CORTE DA TESOURA Ele é um barbeiro excepcional. Seus movimentos no salão lembram Gene Kelly a dançar em cantando na chuva. Trabalhou em BH, Rio, São Paulo e Paris. Foi parar num subúrbio pequeno de um bairro de meia tigela. Quando em vez chega à porta, olha para baixo e para cima a rua e continua sua majestosa dança de tesouras e navalhas. Motivos bastantes ele tem para assustar-se com trovoadas ou bombinhas de vinte jogadas pela molecada. Como todo gênio, ele tem suas excentricidades. Em São Paulo, ele preparava noivas, mas chegou ao cúmulo de muitas delas ficarem tão preparadas, que não sobrava mais um pastelzinho para a festa. Em outro local ele inventou de colocar um curso de ensinar mulher a beijar. No arraial do ciúme surgiu da noite para o dia uma associação dos homens dispostos a der o que vier, engajada de maridos ciumentos. Numa ocasião desocasionada criou um sistema de corte, que funcionava após a zero hora, para madames superatarefadas. Ele abaixava a porta, alegando medo de assalto, e o resto, cala-te boca. Ele cortava cabelo de baixo também. Não estou falando de cabelo de anão. Não! Estou me referindo daqueles mais entrincheirados possíveis. Também inventou um curso de bom/boa na tesoura. A aluna chegava de biquini, enquanto ele preparava a cama que ficava nos fundos do salão. Ele, num surpreendente salto dava uma tesoura ninja com as pernas na menina, e o resto, nem sei se ficava algum resto por fora. Mas que ele corta cabelo muito bem, ele corta. Porém entre uma cabeça e outra, ao cortar cabelos, parece-me que ele também se envolve com os pensamentos que são múltiplos e mirabólicos e possa ser que ele invente mais uma trapaça. À medida que os cabelos vão caindo no chão, os pensamentos vão se adaptando aos seus dedos e percorrendo seu corpo. Em pouco tempo, ele tem um arsenal de idéias das mais estranhas sonhadas. A FREIRA E O SEXO PERVERTIDO Lá no alto da colina despontava o monastério, guardando em sua oponência uma mistura de mônada com mistério. Em volta, as planícies e outras montanhas azuis entre estradas sinuosas, como afastamento completo do mundo. Do buraco da fechadura, a Madre Superiora está apavorada e quase entra em transe, ao ver uma das irmãs se masturbando com um crucifixo! A expulsão, a humilhação, a debandação daquela criatura perdida em sua naturalidade, é pouco pelas críticas recebidas no exílio da volta. Não, não irá expulsá-la. Nem contará para ela, nem para ninguém. Se auto-justifica, não desejando-lhe fazer sofrer. Assim, terá outras vezes a miragem através do buraco da fechadura da cela do claustro. Mas onde está o maior problema sexual? No voyeuer, que se esconde no disfarce religioso ou no entre aspas pervertida sexual? Um globo ocular transpassando a silhueta feminina da fechadura, também já não é outra forma transversal de sexo? A curiosidade que tenta se reequilibrar entre o quarto e o corredor do convento, através de uma fresta, única estrada não proibida para a madre superiora, também não é uma forma pervertida de criar uma auto-liberdade? E quanto à freira se masturbando? Qual o problema do crucifixo? De qualquer maneira ela não se entregou ao Cristo crucificado? Não era ele, com todo o seu sofrimento, quem lhe retribuia o prazer do claustro? De outro ângulo, a cruz não lembra a espada? Não retorna ao supra-fálico? Na cruz estava aquele que não atirava pedras em ninguém. Aquele mais perto do compreensivel, do perdoavel e também do sofrivel. Não transparece que o crucificado e a enclausurada estavam em busca de uma resposta mais plausivel para a verdadeira realidade humana? Uma justificativa que mergulhasse além da loucura humana. Dizem que um poeta certa vez escreveu, que os gatos de sua rua eram mais felizes do que ele. Eu fico pensando: coitado do ego! Entre o super-ego(censura) e o inconsciente, tem que viver como um trapezista de circo, que enquanto pula de um trapézio para o outro, faz malabarismos e engole uma bola de fogo! A HÓSTIA E A DONZELA A Igreja estava repleta de gente. Os vitrais transpassavam a doçura dos santos, as cores dos arco-iris e as brisas das montanhas distantes. Domingo de manhã abrindo um sol abençoado sobre a cidadezinha. A missa corria lenta pela voz embolada do octagenário padre alemão. Chegou a hora da comunhão. Um a um, passo a passo, todos cumpriam o ritual catecismítico. A menina na sua flor da puberdade, caminha lentamente, vestida de azul e inocência. Recebe a hóstia. Quando volta, sente-se mal, vê a Igreja rodar em torno de si. Os rostos dos santos se misturam com os rostos de todos. Castiçais e velas rodopiam com os bancos, o altar e o teto. Ela corre em disparada. Vomita a hóstia na porta da Igreja. O padre sai correndo atrás. A comunidade em seguida, atônita, observa o clima. A moça, semi-desmaiada, apenas entreabre os olhos azuis de vez em quando com o céu. O padre brada: "Se ela não aceitou a hóstia, é porque o sagrado também não a quis!" Mil conversas se entrecruzam: "Com certeza ela pecou contra a castidade!" "Ela deve ter blasfemado contra o espírito santo de Deus!", etc. O padre volta a falar: "Ela só poderá sair, depois que eu comunicar ao Bispo! A hóstia não poderá ser retirada nem lavada do chão! O Bispo fará a exorcização de Beatriz. O corpo de Cristo rejeitado será colocado em um relicário e enviado a Roma!" Agora imaginem: o Bispo a duzentos quilômetros de distância! O que se fazer com aquela situação, em que uma menina-moça, passa mal, após ter comido de manhã uma broa de fubá com leite azedo? Toda cidade pequena, tem um louco. Ou melhor dizendo um poeta, que já é renegado pelos próprios pais como louco e quase sempre acaba em um andarilho de ruelas. Ele apareceu precipitadamente: "Minha gente, o fim da religião é este. É quando a religião em vez de reconhecer o homem no homem, termina em opressão e alienação! É quando se transforma em loucura mesmo. É quando no espaço do sagrado dá-se lugar ao campo da psicotização!". O poeta apanhou a moça nos braços e todos ficaram paralisados. Ninguém se moveu. Nem a família arredou um passo. Ele foi caminhando, caminhando. Ela acordou. Ele colocou-a na garupa de seu cavalo e partiu para sempre. Ninguém quis saber deles até hoje. Para as famílias foram as soluções mais prazeirosas que necessitavam: uma se livrou de um louco e a outra se livrou de uma descomungada. Um fim diferente de Romeu e Julieta. Um fim, onde quem morre é a sociedade que ficou para trás. Os dois viveram felizes para sempre.

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