Poeta, escritor, amante da música e da arte. Um ser humano muito simples em busca do significado profundo da vida, que é o amor, por onde a humanidade ganha sentido no exercício da fraternidade.
domingo, 22 de abril de 2012
JOGUE FORA O TAPETE
PEDAGOGA GULOSA
A pedagoga saiu a mil (rimou!) de uma escola para outra (quase rimou), junto com uma professora de ciências. Quando chegaram no bairro, ela deu uma fome de come o que vier pela frente, que eu já estou jogando dentro. Chegou num bar e pediu um kibe. O kibe era grande, quase do tamanho de um sapato a Luis XVI. A pedagoga jogou o bicho bocarra a dentro. Só que ele não era cerveja que desce redondo. Ele agarrou redondo na gargantalha da danada. A mulher começou a dar sinal de adeus. Rocheava e rosnava. Arrancou uma caneta da bolsa e respirando igual a um ET, tentou mandar o último aviso no guardanapo tímido do bar: "Meu bem, não foi chifre não, foi necessidade mesmo...."
Mas a mulher já dava sinal de pino de panela de pressão antes de explodir. Levou tapas nas costas, na barriga, na.... e nada. O kibe não descia nem saia. O bicho empacou que nem burro teimoso na encruzilhada da garganta com a boca.
A mulher debruçou no balcão para dar o último gemido e ficou tremendo a bunda. Um bêbado que estava numa mesinha do canto, assistindo aquele filme dos últimos dias de herculano e pompéia e agora da bunda da mulata no sapucaí, não pensou duas vezes. Plantou nela um chute no bumbum e gritou: "Se não sai pela trazeira, com o meu motor de arranque vai sair na dianteira!" E por falar em cinema, a pedagoga naufragou à la titanic!!!!
Não é que a mulher jogou o kibe bem longe, nos pés da dona do bar que estava muda, gélida e em pânico! A dona do bar, foi quem morreu!!!!!!!! Morreu de kibe cuspido!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Não se assustem minha gente! Morreu de rir!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
AMIGOS SE REUNEM NUM RENDEZ VOUS
Desde que aquela turma de amigos fundou o seu Clube União para o Progresso, eles já fizeram inúmeras festas, entre elas, churrascos, piqueniques, serestas, jogos de futebol, etc. Inclusive em locais diversos: churrascarias, clubes, salões, casas de amigos, casas de praia, etc.
Eles eram muito unidos e deixavam todos informados de tudo: nascimentos, falecimentos, aniversários, viagens, doenças, mudança de emprego, de residência, etc.
Um dia, um membro do clube transferiu sua residência para um outro bairro e mandou o seguinte email para cada amigo seu: "comunico a todos os irmãos de meu clube, que estou residindo na Rua Ararauma, nº 100 - Edf. Palmas Bras - aptº 310 - em frente ao MOTEL SÓ VAI QUEM PODE. Local que sem demora faremos nossa maravilhosa festa, com certeza no sábado que vem.
Os irmãos ficaram todos de orelha em pé. Festa no motel? O encontro é em que lugar do motel? Tem alguma outra entrada, talvez no fundo do motel? Vamos ter que pagar a entrada do motel? Vamos entrar em dois?
Teve um membro que chegou a telefonar pro outro dizendo: "Pode deixar que levo você. Deixa a entrada por minha conta!"
Depois de tudo explicado, o irmão passou um email para todos, consertando a informação: "Minha gente, a festa vai ser no salão do meu prédio, lá no último andar. O motel é só como ponto de localização. É só onde vocês podem me localizar porque estou na frente!"
De qualquer maneira, o remendo quase ficou pior do que o rasgado.
BÊBADO ATÉ NOS CORNOS
O França estava mais bêbado que um joão bobo de plástico, balançando para tudo quanto é lado, dentro da churrascaria. Ele quase não comeu churrasco. Ele bebeu foi chumasco de tudo quanto é bebida que se tem notícia.
Chegou um ponto que a mulher interferiu. Aliás, nenhum garçom já não aguentava mais. Teve garçom que pensou até enfiar-lhe boca adentro, bem enroladinho o enorme guardanapo da mesa.
A madame não suportou: "Não dá mais wisky pra ele, que ele já está ficando uisquisito! Pelo amor do Santo Antão do Brejo Adentro!"
França está inquieto: "Eu quero beber mais. Bebo até o brejo deste tal santo, é só colocar aqui no meu copo. Quero beber mais!" E agarrou o garçom pela manga do seu paletó de curió preto.
"Minha senhora, não sei o que faço. Ele já está mais bêbado que perú de vésperas! Só se eu der prá ele um copo de conhaque São João da Barra, pra ele ir pra casa de joelhos, porque em pé, nem de muletas ele sai daqui!"
FILHO BENQUISTO
Todo o período da gravidez foi baseado em cima da surpresa. O casal decidiu que não tinha interesse de saber o sexo da criança, queria que fosse como antigamente. Mas o acompanhamento médico foi preciso. Palmo a palmo cada dia a inspeção era cuidadosa. O marido não deixava de encostar a cabeça na barriga da mulher para escutar o que se passava lá dentro. Cada chutezinho que recebia terminava em fantásticas gargalhadas.
Chegou o dia do parto. Pela força do acontecimento partiram a mil pra maternidade. Como todo marinheiro de primeira, segunda ou seja lá qual viagem, Benedito (bem dito seja), andava prá lá e prá cá no corredor e prometeu pra enfermeira: "Logo que a criança nascer, você vem me avisar correndo, que vou lhe dar de presente um relógio banhado a ouro, mas só depois do nascimento. É uma espécie de simpatia que eu tenho comigo! Isto vem da minha mãe!" Dentro em breve chega a enfermeira, doida pra colocar o relógio no braço, com os olhos arregalados e espavorida (ela era também estabanada): "Nasceu! Nasceu! Me dá o relógio! Nasceu ambos os sexos!(era um casal de gêmeos e como decidiram que não queriam saber nada do que se passava no útero, a não ser o cuidado essencial com a saúde do feto, eles não sabiam que eram gêmeos!). O marido pergunta apavorado: "Nasceu com ambos os sexos? Não tem problema não. Vou cuidar dele com todo o amor deste mundo. Isto é coisa genética. Do meu lado tem um primo assim e do lado dela, tem uma irmã!"
CRIANÇA ARTEIRA
O dentista vivia todo feliz em seu consultório e com seus pacientes. Porém, ele não podia imaginar a criança arteira de tinha em casa. Mas criança, é criança, como todos sabem. O importante é a gente educá-la e mostrar o bom caminho a seguir.
Paulinho não era mole não. Dentre algumas de suas artes, muitas são originais. Arrancou com uma vara de pescar a peruca de uma vizinha em plena festa de seu aniversário. Ele, bem escondidinho atrás de um muro. Seu João, estava lendo o jornal, sentado em um banco na praça. O danadinho, não sei com que perícia (nem seu pai era tão perito assim com as mãos), amarrou seus pés no rabo de um cachorro vira-latas que estava dormindo. Depois soltou uma bombinha de vinte. O resto fica por conta de sua imaginação. Colocar pimenta malagueta dentro de um sorvete na escola, também foi uma façanha antológica. A cara da diretora ficou da cor da dita cuja.
Mas, vamos voltar ao consultório de seu pai. Não sei como, ele colocou um prego na cadeira de dentista. Dona Joana chegou apressada para extrair um dente. Dr.Flávio foi puxando, foi puxando, Dona Joana foi levantando, foi levantando, (puxando...levantando...puxando....levantando); até que num determinado momento o dente saiu e Dona Joana soltou um grito, quando sentou-se. "A raíz estava muito profunda Dona Joana!" Dona Joana, ainda sentada no prego, gritou: "A raíz estava tão profunda que respondeu na minha bunda!"
DIÁLOGO DARWINIANO
Marido e mulher na cama. Ambos intelectuais em conversa delirante. Para vocês identificarem melhor o diálogo, o marido chama a mulher de bem e a mulher chama o marido de amor.
"Bem, você sabe que o cócix é uma estrutura atrofiada do nosso antigo rabo?" "Amor, com certeza, este pequeno osso é um orgão vestigial de nossa evolução"
"Bem, você já pensou se tivéssemos ainda o rabo. As nossas roupas teriam um furinho redondo pra passar o rabo!" "Amor, nós teríamos todos os tipos de rabos: ruivos, negros, castanhos, espessos, ralos, compridos, curtos, grossos, finos. Uma linha de shampoo e amaciante pra passar no rabo! Pentes para penteá-lo. As mulheres iam colocar lacinhos no início dele!"
"Bem, mas ia dar alguns problemas também, não? Por exemplo: o sujeito entra no ônibus e grita pro motorista: ei, abre esta porta, que prendeu meu rabo! Uma mulher se abaixa numa sapataria pra escolher sapatos e grita pra outra: você está pisando no meu rabo! Poderia haver traição com o rabo. Um homem numa reunião passando o rabo nas pernas de uma mulher e (??? * + * !!!)...... Os casaisinhos poderiam andar nas ruas de rabos dados um com o outro!"
"Amor, só no caso dos rabos serem muito compridos, né? Mas se a gente estivesse passando numa rua e um cachorro mordesse no nosso rabo? Pior ainda, se ele viesse cheirar nosso rabo! Por outro lado, poderíamos abanar o rabo e espantar os mosquitos da dengue! Mas como a gente ia sentar-se? Em cima do rabo?"
"Bem, assim como nas roupas, as cadeiras, os bancos e as poltronas teriam um buraco pra gente enfiar o rabo! Um rabo bem cuidado poderia até despertar uma paixão! E se alguém perdesse um rabo num acidente?"
"Amor, se fosse na hora e com o rabo perdido dentro de uma caixa de gelo, era só implantar e pronto! Agora, se ele ficasse sem rabo, ele seria considerado um portador de necessidades especiais!"
"Bem, neste caso, o rabo serviria para quê?" "Amor, ele prestaria para demonstrar alegria, tristeza, para se despedir de alguém, para indicar alguma coisa. Para fazer um carinho. Os mosquitos da dengue, já falamos. Para pegar algum objeto caido no chão. Poderia até fechar um negócio com o rabo!"
"Amor, vamos sossegar o rabo e vamos dormir!"
ATO Nº 2 - Peladão
A procissão era sobre a paixão de Cristo. Dois ladeirões imensos forrados de gente, aguardavam ansiosos a saída da mesma, lá da porta da matriz. Ceuzão bonito, com umas nuvens brancas intercalando o azul fortíssimo da manhã de outono. O padre escolheu a dedo o rapaz que encenava Cristo. Da mesma forma que as pinturas renascentistas, Olavo com um pano de saco trançado entre as pernas, apanhou a cruz de brejaúba e colocou-a nas costas.
A brejaúba é a madeira mais leve que existe. Parece isopor. O sacristão, exímio mestre de obras, pintou-a de jacarandá, embora não fosse esta a madeira da Palestina. Olavo foi descendo a ladeira, as rezadeiras atrás e o padre, não sei o que lhe deu na cuca, fantasiado de soldado romano, sendo todas as rezas puxadas por uma beata filha de maria e também da DªMaria lá do Buraco Fundo.
Aquilo foi descendo igual uma jibóia digerindo o espaço pela frente. Em dado momento, Olavo falou baixinho para o padre: "Padre, estou sentindo uma coceira danada na cabeça!" "Aguenta firma, filho, isto ajuda a demonstrar o sofrimento de Cristo!" "Padre, eu não estou suportando mais!" "Só tem um jeito filho. Vou lhe dar umas chicotadas na cabeça pra ver se a coceira passa!"
E Cristo vai apanhando ladeira abaixo. "Padre, a coceira também está pegando meus suvacos!" "Levanta um pouco cada braço dentro da medida, como se fosse pedir ajuda aos céus, que eu dou umas pequenas batidas debaixo deles pra aliviar um pouco!"
"Padre, a coceira agora está no saco!" "Aí não meu filho, você vai ter que aguentar mesmo! No saco não posso bater, não posso passar a mão, não posso fazer nada! Aguenta porque a multidão está de olho em nós! O dinheiro desta procissão vai ser para consertar a Igreja!"
Olavo sofria, sofria, enquanto a multidão delirava. Olavo esfregava a cruz na cabeça, a cabeça na cruz, a cruz no sovaco e o savaco na cruz. O saco, ele deu meia volta e conseguiu esfregar um pouco a cruz no saco.
Quanto mais ele padecia, mais a multidão entrava no clima da paixão. Ladeira acima foi o terror de Olavo.
Já entrou pela porta da Igreja a passos de ganso. Chegou na sacristia e jogou a cruz bem longe. Arrancou o pano e ficou peladão. O padre gritou: "Filho, é só pra você fazer Cristo na paixão. Não precisa de interpretar Adão no paraíso!"
Debaixo da cruz começaram a sair fileiras de formigas cabeçudas. Ninguém podia imaginar que elas haviam feito um ninho dentro da cruz de brejaúba!
ATOR FICA NÚ - ATO Nº 1
Dizem que no interior acontece de tudo. É verdade. Foi numa zona rural que u'a maçã caiu na cabeça de Newton, derivando a lei da gravidade. O fato começa na escola. Encenação da crucificação de Cristo. A Diretor escolheu a dedo os atores. Jesus Cristo: cabelos longos, olhos claros, magro, bonito, com um creme cobrindo-lhe as espinhas dos dezesseis anos (ideia de Cristo italiano, vinda da Renascença). Nossa Senhora: professora de português, sardenta(ficou assim mesma para dar a impressão que estava abandonada). Soldado romano: Pedrão, o aluno mais "cabeçudo" da escola(quando lhe perguntaram quanto é quatro elevado a quatro, ele respondeu que era muito macho). José de Arimathéia, o coordenador que era baixinho e careca. Os dois ladrões: escolheram os dois rapazinhos mais feios da escola. Só deram uma arrumadinha geral no bom ladrão.
O palco da escola foi todo reformado. Lavaram as cortinas de todos os seus anos de pó. Envernizaram o salão com graxa amarela de sapato, pra ele espelhar o teto. Palpite da pedagoga.
O público esperava ansioso. Jesus já estava aparentemente pregado na cruz, apenas com um pano amarrado na cintura. Os dois ladrões suspensos ao seu lado. Abriram a cortina devagar. As senhoras mais sérias se puseram a chorar. Pronto, lá estava a presença do calvário.
Nossa Senhora vestida de azul, saiu correndo do canto direito do palco, em direção ao crucificado, gritando: "O que fizeram com o meu filho amado?" Nisto, ela escorregou na graxa do salão e saiu como um jet ski em direção da cruz de Cristo. Não tinha onde agarrar, agarrou em seu único pano, porque ele estava sem cueca e saiu em direção da diretora que estava no canto esquerdo do palco, caindo as duas de pernas para o ar: "Fecha a cortina! Fecha a cortina! Fecha a cortina!" Lá do púlpito, dois maridos gritavam: "Fechem as pernas! Fechem as pernas! Fechem as pernas!"
ACIDENTE NO ANO NOVO
Seu Drago mal formado na segunda série, mas metido a orador de subúrbio, na virada do ano desengasgou? "A minha muié foi numa cômbida cu Aberto dirigindo em arta disputa. Junto foi a turma do despacho da manjá no mar. Ela tocô direto em direção dum terreno báldio pra sortá fogos de orifíco!"
PORTUGUÊS NO VOLANTE
Manuel Joaquim Almeida Brás Albuquerque Silva Souza Alenquer Araújo Silveira, assim é como gostava que lhe chamasse. Um nome extenso, que parou em silveira, porque o tabelião cochilou no dia do registro. Enorme, mas de alcunha pequena: Manujô! Como todos o chamavam.
Assim que saiu o fusca do Sarney, o gajo comprou-o. Chamou a mulher Adelaide, que após silveira, acrescentava Magalhães, em honra a um ancestral Fernão de Magalhães, famoso navegador. "Mulher, já que você tem sangue de quem gosta de andar, que tal darmos uma voltinha no meu novo carrinho!" "Pois, pois, Manujô! Vamos a andar enquanto o vento está a nos favorecer!"
Planícies e colinas desfilaram pelo retrovisor...porém, o carro parou. Não ia nem pra frente, nem pra trás. O portuga endoidou: "Mulher, nosso carrinho deu defeito! Levanta o capô prá ver o que tem no motor!" Adelaide levantou o capô e não encontrou motor algum: "Bem o motor do carro desapareceu! Deve ter caido na estrada! Vamos abrir o carro todo, pra ele refrescar e não pegar fogo, porque tá catingando fumaça!"
Quando o portuga abriu a tampa traseira do fusca, declamou: "Adelaide, que maravilha, nosso carro tem um motor sobressalente! Pega a maleta de ferramentas, no banco traseiro, que vamos tirar ele e colocar na frente!"
BEBERRÃO NO CULTO
O maior sonho de Serafina era ver o Virgílio frequentando sua Igreja. Parece que quanto mais ela sonhava, mas o marido bebia. Um dia, ela aproveitou que ele estava mais bêbado que uma porca prenha, deu-lhe um abraço e uma trava de polícia no pescoço e carregou-o pra lá.
O pastor iniciou o sermão: "Meus filhos e filhas, Moisés era um homem de tanta fé que fazia milagres. Batia na pedra e ela dava água. Levantava os braços pra cima e descia maná. Diante do Faraó, quando o mesmo jogou seu cajado que virou uma cobra, Moisés jogou o cajado dele que virou uma cobra tão violenta, que engoliu a cobra do Faraó!".
Virgílio, bêbado até os últimos cabelos da cabeça, gritou bem alto dentro da Igreja: "Serafina, você me trouxe para um culto ou para escutar conversas de boiolas?"
CEARENSE BOM DE DAR RECADO
Trabalhavam na orla, felizes, entre a maceira e o vai e vem lá longe das ondas. Quando o serviço estava para desanimar, olhavam umas morenas de biquini e voltavam pro reboco com alegria à toda pólvora. Porém, acidentes acontecem. Às vezes, trágicos. Pois é, o colega caiu do andaime do décimo andar. Quem daria a notícia à esposa dele? Quem? Quem? O cearense, é claro. Afinal de contas, ele tinha papos pra depois das horas.
Bateu palmas, bateu de novo e a mulher apareceu na varanda. "Bom dia, minha senhora!" "Bom dia, o que o senhor deseja?" "A senhora é que é a viúva, viúva não, meus pêsames, pêsames não, desculpas, mas a senhora é a mulher do Chico?" "Sim! o que está acontecendo?" "Não, minha senhora, já aconteceu, quer dizer, está por acontecer o acontecido... Primeiramente viram as botas, as meias, as calças, a cueca, a camisa, as luvas, caídas embaixo do prédio com o Chico dentro!" A mulher tomou um susto tão grande, que deu um enfarte e morreu. Veio chegando uma vizinha dela e deu o endereço da oficina onde o fiho trabalhava. O ceará saiu avulso numa bicicleta. Quando chegou, chamou pelo rapaz, que veio correndo para saber o que se passava. "Escute meu filho, fui avisar a sua mãe que as botas, as meias, as calças, a cueca, a camisa, as luvas de seu pai, estavam caidas embaixo no prédio, com ele dentro. A sua mãe deu um piritipapo e caiu durinha no chão. Agora é a sua vez!"
CAMPEÃO DO JOGO DE BICHO
O sujeito era de uma sorte danada. Acertava na milhar e ainda no centro do duque de dezena. Uma conversinha, uma placa de carro, um tropeção, um pescoção que alguém tomou, qualquer coisa era o trompolim para ele pular na piscina do dinheiro.
Um camarada chegou até a banca, o sujeito estava em pé ao lado. O visitante começou a contar seu sonho: "Sonhei que um macaco jogou uma pedra na vidraça da minha casa! Joga na milhar do macaco, aí seu moço!"
O tal sujeito, mal o camaradinha saiu, emendou um palpite no pavão. No outro dia deu pavão na cabeça! "Por quê?" Perguntou o esperto. "Ora, se ele sonhou que o macaco jogou a pedra na vidraça, quando a pedra bateu, fez "pá", quando a pedra caiu do lado de lá, ficou um "vão". Logo, "pavão!".
Passou um caminhão em alta velocidade e jogou lama em todo mundo. Desta vez, foi um bebum que falou:"Hoje quem ganha sou eu. Vou jogar na milhar da placa na cabeça! Mereço uma grana, porque sou muito trabalhador". Quem ganhou, foi o tal sujeito, que jogou na placa invertida. Vocês querem saber por quê? Isto foi o que ele falou com o vendedor de picolé: "Preguiçoso igual ele é, só podia dar o contrário!"
FÉRIAS MALUCAS
"Boa sorte minha gente!" Com esta frase Juvenal com cara de Pato Donald, despede de sua turma, com o braço de fora do carro. Como resposta, ganhou uma penca de bananas, de tão chato que era. Parece que foi bem encomendado. Lá vai ele pela estrada, em seu fiat único naquele estado, com um maleiro adaptado na capota. Igual a um embrulho mal feito, ou melhor, uma mala sem alça.
Entre a poeira e o cinzento horizonte, encontrou a cidadezinha dormindo aos poucos, com um vigia cochilando na porta de um supermercado: "Aqui, não é lugar ruim não seu moço. De vez em quando acontece uns problemas. Desta vez, mataram o prefeito, o presidente da câmara está preso, o padre fugiu com um cigano, o dono do cartório está sendo procurado pela PF, a única pensão está interditada porque deu rachaduras nas paredes, não dá pra continuar viagem porque a ponte caiu, mas o senhor pode tocar adiante e encostar seu carro no estábulo e dormir à vontade junto com os cavalos e os burros, que eles não incomodam a ninguém!"
Professora ingênua
Aula de história. Assunto: escravidão. "Vocês sabiam que era interesse da Inglaterra em acabar com a escravidão no Brasil, assim como em qualquer parte do mundo? Vocês podem ver que ela estava por trás de todas as leis e movimentos abolicionistas! A Inglaterra vivia em plena revolução industrial, dominando o mercado e precisava de clientes para comprarem seus produtos vendidos em seus empórios pelo mundo. Como escravo não tem salário, nem dinheiro, era preciso mudar a sociedade de escravagista para trabalhista livre. Vocês percebem que a partir da abolição da escravatura em 13 de maio de 1888, nosso Reinado começou a ruir e aguentou somente até 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República, porque ele era assentado em cima de um sistema escravagista? Vocês sabem quem assinou a Lei Áurea? Pois bem, foi a Princesa Isabel, esposa de um francês o Conde D'Eu!" Nisto uma aluna perguntou se ele dançava ballet e a turma pocou de rir. "Vocês riem à toa. Outro dia estavam rindo do retrato de Luiz XIV, o Rei Sol. Riam do sapato e da cabeleira dele. Parece que nem sabem que era a moda da época. Ainda falaram que ele gostava de desfilar numa parada!"
Para quebrar o desencanto, ela torpedeou: "Levantem a mão, aqueles que querem assistir à fincada do mastro de São Benedito!" Não houve uma que suspendesse no ar. Apenas em uníssono a turma respondeu: "É ruim, einh!"
SAÍDA SECÂNTICA
Os dois amigos sairam juntos de férias, para curtir, zurrar e rebebereber. GPS, mapas de cidades turísticas, vodka, wisky, martini, cinzano, campari, caipirinha e deixa o bambú rolar.
A cidadezinha era tipicamente italiana. Tchau! Tchau! Tchau! Vejam que tchau serve tanto para chegar como para sair. Coisa de latinos! Foram para inauguração do novo ponto turístico: um museu com tudo que é quinquilharias possíveis de acordar do sono o Duque de Caxias.
Os dois entraram. Panelas antigas, ferros à brasa, máquinas maunais de costura, arreios, estribos, chicotes, rodas de carros de bois, toalhas de rendas, paus de rolar macarrão, tachos, etc... e na parede o retrato bem grande de uma anciã.
Pierre, o outro era Pietro (para não dizer que eram burros de pedra), chegou bem perto, mirou e despachou: "Que danada de véia feia é esta aqui neste retrato?" Ele pensou que era a mãe da Princesa Isabel.
O italianão lá do fim do balcão urrou: "Esta é minha nona, sua cosa bruta!"
Pierre deu uma meia volta e uma volta e meia, olhou de secante outra vez pra foto e remendou: "Pôxa, o reflexo da vidraça me atrapalhou. Agora, deste ângulo, estou vendo que ela é até bonitinha demais. Parece até com aquela mulher que sai na folhinha ao lado do sagrado coração de Jesus!"
MENINO ESPERTO
Desde cedo a bondosa mãe levantou-se dando os avisos ao Irineu: "Olhe meu filho, nós vamos visitar a tia Mara hoje. Você fala demais, mas me promete ficar quietinho. Você sabe que seu priminho nasceu sem orelhas. Você chega no berço, olha rápido e fica em silêncio num cantinho. Nada de jogar piadinhas, de perguntar onde estão as orelhas dele, tá? E lembre-se que ninguém é totalmente normal. Você mesmo nasceu com sérios problemas visuais!"
O menino respondeu com um aceno dos olhos. Chegaram e foram direto para o berço. Aquela coisa de tia, entra em funcionamento rápido. Beijinhos, tapinhas nos ombros, balancinhos no colo e sorrisos explodindo no ar que nem fogos de fim de ano.
Irineu deu uma olhadinha rápida no priminho e ficou caladinho pensando, pensando, pensando.
A tia chegou pra ele e disse: "O que você tem meu filhinho? Você que é tão elétrico, hoje parece que está até doente! Você não gostou do seu primozinho não?"
"Gostar eu gostei demais titia. Mas me veio uma preocupação. Se ele tiver problemas nas vistas, como é que ele vai usar óculos?"
MÉDICO INTERCEPTADO
Naquela colônia pomerana encrustada no alto de íngremes colinas, onde o sol era o primeiro a tocar com sua magia, o início do labor diário, acabava de chegar o médico da cidade, para atender aos pacientes.
O atendimento era na paróquia local, onde as pessoas ficavam sentadas na sala principal e o médico atendia num improvisado quarto que dava acesso à mesma. Se nos lembrarmos que a medicina é uma ciência primeiramente mística desde a antiguidade, aceitaremos com mais facilidade o improviso das circunstâncias.
Primeiramente entrou uma mulher que sentia fortes dores no "pé da barriga". Ora, se por lá, o pé tem barriga, qual o problema da barriga ter pé?
O doutor apalpa aqui, apalpa ali, pergunta aqui, pergunta mais aqui, mais e mais e finalmente faz a pergunta fatal: "A senhora tem orgasmo?"
A mulher levantou-se rapidamente, abriu a porta e gritou para o salão repleto de pomeranos: "Ei Fritz, nóis tem orgazo?"
"Não, Gertrudes, nóis só tem mesmo o plano da Unimed!"
PASTOR CURA TUDO
O fato é que o Pastor Serafim, como o próprio nome indica, dava fim a qualquer enfermidade. Começou sua vida, rodando em cima de um caminhão, cidade por cidade. Ia catando povoado por povoado igual anum cata carrapato em boi. Num determinado lugar, deu gente de encher um campo de futebol e meio. O Pastor ia gritando: "Pode vir sem dizer nada. É só apontar com o dedo o local da moléstia!" Uns apontavam a garganta, outros o estômago, fígado, joelho, alguns até mesmo o bumbum. Porém, um velhinho veio apontando pro meio das pernas. Pastor Serafim correu seu olho de buscapé e gritou: "Escute meu amigo, levantar defunto é direto com Jesus!".
O fim mesmo do Serafim, veio de uma mulher maluquinha de Souza pra seu marido sair fora dela. Sua jogada foi fingir-se doida. Começou a quebrar tudo dentro de casa. O inocente correu atrás do Pastor Serafim. Este, colocou-se logo a serviço. Desarregaçou as mangas da camisa, botou paletó, gravata listrada e partiu com sua equipe de arranca bicho ruim da cacunda de seja lá quem for. Chegou em frente ao barraco, mandou que todos concentrassem e avisou: "Vou entrar com meu dedão em riste, otorizandu o bicho a sair da muié e voceis veim atraiz orandu!" O marido deixou a porta meio aberta, enquanto a mulher urrava como uma mula desencabeçada dentro do barraco. Pastor Serafim deu um ponta pé na porta, pulou pra dentro da meia água com o dedão na frente e gritou suspendendo o braço: "Sai Satanás!" Só que ele teve um azar danado e enfiou o dedão dentro de um bocal de luz, que estava enferrujado. Agarrou e começou a amarelar e enrolar a língua, igual lagartixa com sede. As mulheres rezadeiras pularam em cima dele, tomaram choque com ele, mas desataram-no do bocal. Neste momento, a mulher que fingia de doida, começou a rir, porque não aguentou a cena. O Pastor, caído no chão, discursou: "Tá vendo minha gente, a mulher sarou. Olhe cumu ela tá feliz! O bicho que tava incravado nela era tão medonho que já tinha entrado dentro da tubulação de luz!"
MILAGRE
Lá pelos nordestes afora, a coisa não é brinquedo não. Perder roçado significa fome de roer as unhas. Severino fez um espantalho e inaugurou o milharal ainda no broto, com aquela feiúra toda de braços abertos. Em lugar de espantar, o camarada estava era atraindo a passarada. Então ele resolveu fazer uma espécie de cruz credo em cruz e jogou o abençoado na estrada.
Raimundinho, filho do vizinho encontrou-o, deu um jeitinho nele e guardou-o no paiol, para brincar. Desta forma, o espantalho se tornou seu boneco preferido. Mas um dia chegou a chuva. A tão sonhada surtou num pesadelo de levar quase tudo. Até para nunca mais seu boneco querido.
Os meses passaram e o menino adoeceu de tristeza. Seu pai, José, soube que numa localidade distante dali tinha um santo fazendo milagres. Botou no embornal meia rapadura e uma lata de farinha, partindo em busca de salvar seu filho.
Quando chegaram ao povoado, a romaria versava espuma de tanta gente na praça em volta da igreja.
José, foi se enfiando no meio do povo. Daqui e dali, com Raimundinho no colo, se emparafuzando dentro da gleba. Conseguiu chegar à porta da igreja. Com sacrifício avançou até perto do altar para tocar no santo milagroso.
Segundo boatos tangentes nas redondezas, o santo tinha sido encontrado numa lagoa por dois pescadores.
Quando Raimundinho foi tocar no santo e olhou dentro dos seus dois olhos de bolinha de gude, gritou bem alto: "Papai, encontrei o meu boneco Zulú!"
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