domingo, 23 de setembro de 2012

MINHA VIDA

Minha Vida Se eu soubesse quando você viria, eu a teria esperado minha vida. Teria ficado aflito o dia inteiro no alto da colina da minha terra natal, fazendo de conta não ser ninguém, fingindo de bobo com as nuvens ambulantes, brincando de esconde esconde com os minutos distantes e pediria ao pássaro das penas mais coloridas, para beijar a flor mais bela do meu quintal. Com certeza beijaria as margaridas! Lançaria perfume de alfazema no quarto onde iria nascer. Abriria as cortinas das janelas e deixaria entrar a brisa circundante cansada de bater palmas na porta de entrada da casa. Sorriria para mamãe e olharia para ela na efervescência de sua mocidade, para nunca mais esquecer. Como um pequenino príncipe sussurraria no seu ouvido um muito obrigado por dar-me a possibilidade de nascer! Eu que vim de tão longe! Convidaria o sol a ficar parado por meio segundo. Viver vale mais a pena que simplesmente estar aqui. Ah! Se eu tivesse consciência do dia em que chegaria a este mundo! Ah! Se eu soubesse que minha mãe me ficou esperando meses a fio e que teceu minhas vestes por três estações, com a doçura maternal da natureza. E agora o que faço com tudo isto minha vida? Os milhares de amigos, os poemas e os contos que escrevo, sendo alguns que trouxe de longe. A noção do amor e da paz vivida na minha singular simplicidade. As multidões de galáxias no universo e o sorriso de uma criança. Eu que não vi meu sorriso infantil. Eu que não vi minha mãe na madrugada de meu berço. Eu que não a vi sem dormir por mim. De que valem estas lágrimas caindo sobre as teclas deste computador? Elas servirão como pétalas na velhice de minha mãe?

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