Poeta, escritor, amante da música e da arte. Um ser humano muito simples em busca do significado profundo da vida, que é o amor, por onde a humanidade ganha sentido no exercício da fraternidade.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
PARA OS MEUS NETOS, NO DIA DAS CRIANÇAS
Para Rodrigo, Matheus, Suzana e Ana Laura, meus queridos netos
Que posso dizer a vocês, uns no início dos anos, outra alguns meses e uma nem sequer um mes ainda, neste dia das crianças?
Poderia dizer que o vento sul está prestes a chegar e que o sol brilha sobre o girassol do meu coração?
Isto qualquer um pode dizer, inclusive os jornalistas na televisão! Menos a questão do girassol. Ela é só minha e sendo assim pertence a vocês que fazem parte da minha posteridade.
As primeiras coisas se dizem até mesmo nas esquinas, nas bancas de revistas, nas fofocas dos salões, mas esta última, que todos não dão muita importância é a de maior relevância.
É este girassol no meu coração que me faz avô-criança.
Muitas coisas morreram em mim e posso até dizer que se foram para o meu próprio bem. São fios brancos em minha cabeça imitando o permanente maná que abençoa o deserto da minha existência.
São marcas pela face, labirintos suntuosos por onde andei tantos anos como um peregrino.
Da multiplicidade dos povos que em minha alma habitam, trouxe o salmo dos antigos, dos ancestrais dos meus avós,
fora parte este tanger de violinos adocicando o meu viver e adornando meu espírito.
À minha direita me amparo na inseparavel esperança que não posso perder de vista nesta caminhada.
À minha esquerda a inquieta procura, quem sabe pró-cura? Talvez, pois procurar é muito mais importante do que encontrar.
Procuro, procuro, sendo assim nunca vou cristalizar o meu objetivo.
Com isto, perdoo aos que não conseguem me amar e creio com toda a fé deste mundo num mistério que não sou capaz de ver.
O importante do mistério é que ele está sempre à frente, a um passo mais além da chegada.
Que posso dizer a vocês além de tudo isto?
Ah! Sim! Tem coisas muito interessantes a relatar. O universo me encanta e me emociona.
Não me refiro a milhões de galáxias, nem no quantum de anos luzes em que se encontram.
Sugiro aquele pequenino inseto no umbral da minha janela.
Seus olhos minúsculos são duas pérolas colocadas ao pé da vidraça, desafiando o tempo.
Não tenho como deixar de ser criança! De ser avô-criança!
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário