domingo, 3 de setembro de 2017

Fluir

Cá, com os meus botões, é de minha janela que vejo o mundo! Faço de todos os vai e vens de suas venezianas o meu lançar em magníficas asas e me embrulho por trás de suas cortinas como em tapete mágico me lanço pelas mil e uma noites de meus luzentes dias desde outrora. Dela, pois bem, de minha janela liceal repasso em outras imagens ressurgidas de outras janelas agora, de outros cantos, outras margens em sucessivo parreiral estendendo seus frutos e seus sumos às mais distantes paragens e desta forma me sinto adjunto e destas outras me sinto adepto, de onde me vem imagens vestidas de seda e cada qual com seu devido anúncio deste largo mundo desde o chão ao teto, enquanto todo o panorama lança sua túnica e traz à luz o que estava escuso e desta forma me adentro e lanço sêmolas à mais antiga lembrança e revivo suas ruínas com templos sobre suas colunas, reergo com videiras toda a sua vizinhança, pois viver é deixar-se com leveza escorregar pelo devenir, confeccionar com alegria um solidéu, e seja o que for, ou tiver de vir, deixar-se levar em um barquinho de papel pelo fluir imaginário da correnteza!

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