terça-feira, 19 de setembro de 2017

ORAÇÃO

Oh! Eterno, quantos sabem mais que todos e dizem vencer a todos e a tudo, enquanto eu mal venço a mim mesmo! Ainda bem que minhas ninfas não devoraram Teus pomos de ouro e não profanaram o meu Jardim das Hespérides! Quantos sabem de tudo e espelham seus selfs a sobremodo, enquanto eu me sinto esta sombra sem rosto que só tem vulto e não tem flashs! Mas o Jarro de Pandora que tu me destes só estava cheio de perdão e esperança! Assim meu rosto sem rosto, minha face sem face, por onde viveu ou onde andasse deixou seu sorriso de criança que a muitos serviu como vinho mosto com maná de Salem! Quantos possuem nos lábios uma resposta pronta, enquanto eu vou para o Teu manjar e Tu te escondes por trás das cortinas do Grande Salão! Mas vou simplesmente como quem só quer sorver a ensinança e não comungo a idéia enfadonha de fazer um ídolo conforme a intenção que muitos tem ao visitar o Anfitrião! Mesmo assim, ainda saio com uma pergunta muito antiga, que de tão velha em mim, já anda tonta! Quem sou eu afinal de contas? Continuarei amarrado ao mastro como Ulisses perante as sereias ou serei capaz de atravessar a noite do umbral sem me perder de mim mesmo? Oh! Santa pobreza de nada saber! Santa nudez de nada apresentar! Oh! Santa acuidade de diante do vazio saber-se respeitar! Nada sou, nada tenho, nada almejo! Sou uma chispa humana! Sou apenas um simples nada diante do grande início, da expansão infinita do Logos, da Mente presente do Cosmos, sem cair na insignificância mundana de cada precipício!

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