Sendo um pateta que não deu certo,
vi-me poeta, não de um dia para outro,
mas desde todos os dias da minha vida.
Em lugar de tropeçar pelas pedras dos caminhos
e arrancar risadas alheias, esbarrei-me em idéias
esplendorosas sobre tudo e sobre nada, pois
aqueles que só se envolvem com tudo não chegam
nem às periferias das coisas mesmas em si e sendo
o nada o maior desafio e a mais nobre ponte a atravessar,
atirei-me dela às correntezas do rio que passava por baixo
e passava por cima e passava por todos os lados por onde
passam todos os rios e se estendem todas as pontes.
Esqueci-me tanto de mim que não me dei contas dos luminares
oscilantes a que todos buscam com a avidez tamanha de suas bocas
engolirem a si mesmos, abocanhar seus dias fecundos, devorar suas horas
mais belas que não lhe apresentaram beleza alguma; escorregar seus
momentos mais prazerosos entre os vãos dos dedos de suas mãos vorazes
pelas honrarias, pelos títulos, medalhas e reconhecimentos de que nada
lhe fariam belas suas tardes, suas manhãs e que apagariam suas estrelas
do manto da noite! Sou o pateta que não deu certo! Bem vindo poeta em
mim! Renasça porque em volta batem todos os sinos e jorram todas as
pétalas sobre minha fronte! Há recém nascidos por toda a parte e não
quis a morte suculenta de uma glória fútil!
Não busquei os aplausos de uma platéia morta e tonta e joguei-me na
eternidade com meus versos espalhados para o sempre amanhã de todos
aqueles que sentiam em seus peitos uma vontade ininterrupta de amar e
ser amado, de compreender o que é a leveza da brisa sobre os cabelos
de sua amada; de sentir o que é uma canção de ninar da grande mãe com
seu menino ressurgido das cinzas do tempo ou dos amantes fidedignos
que buscam uma surpresa nova por trás das brumas dos seus leitos!
Há quem pense que sou pateta! Ah! Se eles soubessem o que é trazer nas
palmas das mãos o som de todos os órgãos centenários e carregar por aí
um corpo tão leve como um manto sagrado a sobrevoar pelas ruas ou
andar pelos mercados sem me afetar com o ruído absurdo dos que
almejam apenas lucros...Ah! Se eles soubessem que enquanto eu caminho
estou suspenso em um tapete mágico, embora ande com meus passos
na aparência de um caminhar comum e sou tão leve, tão leve como uma
pena dançando no ar, porque sou poeta, sou o pateta que não deu certo,
sou o inverso daquilo que todos pensam que sou e sou o lado escondido
daqueles que não sabem e não percebem toda a luz brilhando ao redor!
Ah! Que pena tenho daqueles que buscam todos os holofotes sobre si,
sem saber que todos os holofotes brilham sobre todas as coisas e que
não há glória maior ou prazer mais supremo que mergulhar em seu brilho!
Poeta, escritor, amante da música e da arte. Um ser humano muito simples em busca do significado profundo da vida, que é o amor, por onde a humanidade ganha sentido no exercício da fraternidade.
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
Eu meu
Sendo um pateta que não deu certo,
vi-me poeta, não de um dia para outro,
mas desde todos os dias da minha vida.
Em lugar de tropeçar pelas pedras dos caminhos
e arrancar risadas alheias, esbarrei-me em idéias
esplendorosas sobre tudo e sobre nada, pois
aqueles que só se envolvem com tudo não chegam
nem às periferias das coisas mesmas em si e sendo
o nada o maior desafio e a mais nobre ponte a atravessar,
atirei-me dela às correntezas do rio que passava por baixo
e passava por cima e passava por todos os lados por onde
passam todos os rios e se estendem todas as pontes.
Esqueci-me tanto de mim que não me dei contas dos luminares
oscilantes a que todos buscam com a avidez tamanha de suas bocas
engolirem a si mesmos, abocanhar seus dias fecundos, devorar suas horas
mais belas que não lhe apresentaram beleza alguma; escorregar seus
momentos mais prazerosos entre os vãos dos dedos de suas mãos vorazes
pelas honrarias, pelos títulos, medalhas e reconhecimentos de que nada
lhe fariam belas suas tardes, suas manhãs e que apagariam suas estrelas
do manto da noite! Sou o pateta que não deu certo! Bem vindo poeta em
mim! Renasça porque em volta batem todos os sinos e jorram todas as
pétalas sobre minha fronte! Há recém nascidos por toda a parte e não
quis a morte suculenta de uma glória fútil!
Não busquei os aplausos de uma platéia morta e tonta e joguei-me na
eternidade com meus versos espalhados para o sempre amanhã de todos
aqueles que sentiam em seus peitos uma vontade ininterrupta de amar e
ser amado, de compreender o que é a leveza da brisa sobre os cabelos
de sua amada; de sentir o que é uma canção de ninar da grande mãe com
seu menino ressurgido das cinzas do tempo ou dos amantes fidedignos
que buscam uma surpresa nova por trás das brumas dos seus leitos!
Há quem pense que sou pateta! Ah! Se eles soubessem o que é trazer nas
palmas das mãos o som de todos os órgãos centenários e carregar por aí
um corpo tão leve como um manto sagrado a sobrevoar pelas ruas ou
andar pelos mercados sem me afetar com o ruído absurdo dos que
almejam apenas lucros...Ah! Se eles soubessem que enquanto eu caminho
estou suspenso em um tapete mágico, embora ande com meus passos
na aparência de um caminhar comum e sou tão leve, tão leve como uma
pena dançando no ar, porque sou poeta, sou o pateta que não deu certo,
sou o inverso daquilo que todos pensam que sou e sou o lado escondido
daqueles que não sabem e não percebem toda a luz brilhando ao redor!
Ah! Que pena tenho daqueles que buscam todos os holofotes sobre si,
sem saber que todos os holofotes brilham sobre todas as coisas e que
não há glória maior ou prazer mais supremo que mergulhar em seu brilho!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário