quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Poema de cristal

De quando em vez, penduro meus poemas no varal do face e os deixo a quarar, pois sei que todos vocês deles cuidam, como uma mãe sabe embalar e pentear seu filhinho e sabe dar-lhe um beijo matinal quando ele acorda sorrindo! Eles perdurarão em catedrais de tempos futuros e cada estrofe colhida do santuário do meu coração será como pianos centenários nos alpendres internos destas permanentes catedrais, pois sou como aqueles homens que colhem fardos de trigos pelos campos dourados de espigas, com seus corpos deglutidos pelo suor e sacrifício, mas com suas almas explodindo de alegria como fogos de artifício ao lembrar de suas amadas em suas noites nupciais! Às vezes, com a alma de âmbar em violáceas passadas, caminho por vindimas e balsamo meus poemas em adegas profundas, penetrando-os por corredores perfilados de labirintos subterrâneos, para dar de beber à noite do umbral e que ela me ofereça seus seios para sorver a seiva da loucura paixão, enquanto eu lhe ofereço e lhe ergo minha taça de cristal cheia de poemas a beber, com seu corpo perfumado de sombras!

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