quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Volúpia

Minha alma é como uma colcha de retalhos feita às cópulas em tardes interioranas, cobrindo meus sonhos movidos com os sussurros das venezianas; modulando os ventos esparzidos em polens de imagens e pensamentos. Todos tem uma resposta pronta e se julgam despertos o bastante! Apenas eu abro as janelas das noites escuras dos meus dias claros para buscar nos meandros dos meus momentos mais sonâmbulos, as respostas de que afinal de contas não há quem as responda, como por exemplo, porque a noite é tão grande e o dia é tão pequeno, sendo que as horas são as mesmas mas não são iguais em seus passos noturnos a pisar estrelas distantes. Oh! Santa pergunta, santa vanidade em que nada tenho, nada sou, nada desejo e por aí penumbra meu desalento, ver-me diante da eternidade! Por aí me esvazio, como em sua correnteza por menor seja um rio, sempre leva em seu dorso, o rosto imerso da paisagem do céu, com suas nuvens ambulantes esvaindo com sua leveza um azul molhado de águas frias, como um beijo bem posto na madrugada varrendo os corpos nus e as colchas emboladas sobre o leito e ao pensar assim me esvazio, pois tudo tem seu sentido na grande mente do logos, nas indagações mais estanhas sobre a idéia do princípio, nem que seja como estas lembranças recortadas e repartidas caindo como para quedas, ou que seja caindo da cama, mas caindo aos retalhos em um precipício!

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