sábado, 29 de outubro de 2011

NICHOLAS NIXON: ESTOU OLHANDO ALÉM DO SEU OLHAR


Recebi um email interessante. Ele mostra uma sequência de fotografias das irmãs Brown, feita pelo famoso fotógrafo Nicholas Nixon, a partir de 1975. Na série fotográfica durante anos as irmãs ficam na mesma posição da esquerda para a direita. Uma delas é Bebe sua esposa. A intenção de Nicholas era demonstrar como o tempo age sobre as pessoas. A crítica aplaudiu de pé, como se fosse uma testemunha ocular do tempo.
Porém, discordo completamente. Estas fotos não marcam a ação do tempo sobre aquele grupo de mulheres, como se pensa popularmente. A nossa mente espacial temporal acredita no tempo como um operário agindo ininterruptamente sobre as coisas do mundo.
Isto é muito simplório. Primeiramente que o tempo não existe e não sabemos como as coisas são realmente em si. Vamos supor que o tempo tenha trabalhado sobre o físico daquelas irmãs. E sobre todas as outras coisas, o tempo também trabalhou? Então seríamos obrigados a concordar que o cosmos é uma infinidade de coisas e o tempo um operário que não tem férias nem tira folgas!
Não seria mais concordante refletirmos que todas as coisas estão num fluxo constante dentro de um campo vibracional? Enquanto aquelas irmãs mudavam na sequência de fotos(conhecimento do senso comum), também havia uma mudança geral no universo(conhecimento do senso científico)?
Não é fácil andar numa estrada onde uma margem tem o beiral pintado pelo senso comum e a outra margem tem o beiral pintado pelo senso científico. Havemos de encontrar uma solução racional e lógica para não cairmos no reino do disparate.
Não seria a própria lógica do universo uma estática e não uma dinâmica? A dinâmica seria maya, ilusão na linguagem sânscrita. A estática seria o fluxo constante, onde nada é o mesmo a nenhum momento. Mas não se tira nem se acrescenta nada. Tudo é. Tudo está. Estamos muito perto do pensamento de Heráclito, quando diz "que ninguém pode entrar no mesmo rio pela segunda vez". E qualquer um que pense cientificamente, sabe que Heráclito foi metafórico nesta sentença, quando se refere a rio. O que realmente existe é uma vibração constante. A mudança não passa de uma despercepção do todo, do continuum. Entra um pouco de Parmênides quando afirma sobre o ser. A realidade é uma permanência impossivel de ser captada, pois nossos sentidos submissos às modalidades de tempo e espaço que são apriori em nossa natureza, nos fazem ver mudanças de roupagens nos objetos em nossa volta. Tempo e espaço são atributos somente de nosso ser como possibilidades de perceber o entorno, sendo que as coisas em si, como elas são mesmas, não temos condições de saber. Por esta razão os físicos furam a máscara da matéria e por mais ateistas que sejam encontram memória e inteligência, além de poder comunicativo até mesmo nos diodos de silício! Kant passou seu mouse pensador nesta tela.
Mas se não quisermos divagar tanto, podemos pensar que tudo está mergulhado numa existência permanente/infinita. Enquanto Nicholas fotografava sua esposa e cunhadas, todo o universo vibrava em sua volta e entre aspas se modificava também! Modificava o pobre Nicholas, sua máquina fotográfica. Veja que ele fotografou em preto e branco. As outras cores foram para onde? Mas cores também são vibrações e não sei se farão tanta diferença para o encaminhamento de nosso raciocínio.
Baseando-se na ideia que nada se perde, nada se cria e tudo se transforma e depois não se perde, nem se cria e se transforma e assim sucessivamente, encontraremos um continuum infinitesimal e seria mais inteligente pensarmos no universo como um todo e não nos perdermos nos particulares das fotos de quatro irmãs envelhecendo com os anos. Ou quem sabe se renovando? Pelo menos em seus aspectos físicos. Se fôssemos entrar pelo lado social ou religioso desviaríamos demais de nossos propósitos iniciais.
As perguntas que faço a seguir é somente para pensarmos praticamente sobre nós mesmos:
Quem somos nós? Onde estamos? De onde viemos? Para onde vamos? Como não vamos respondê-las com facilidade, pergunto:
O que aprendemos durante nossa passagem por aqui? O que deixamos plantado de bom para as próximas gerações?
Quando daremos com a mão direita, sem que a esquerda saiba?

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