Vivia como um ermitão em um castelinho antigo, numa chácara distante aproximadamente duas léguas da cidade. Não possuía automóvel. Uma charrete puchada por uma parelha de cavalos transportava-o como único meio de locomoção.
Chegou naquela região num fim de primavera, quando o verão começava a varrer as útlimas flores. Acredita-se que veio de taxi. Apenas escutaram um barulho de carro. Morou por uns tempos no segundo andar da pensão.
Depois de muito pesquisar, comprou aquela propriedade. Aos poucos montou seu recanto solitário.
Dedicou-se a empreendimentos inteligentes como criação de peixes, rãs e cabras. Presume-se que vendia-os para fornecedores de grandes centros. Não se sabe como.
Sua fisionomia dava uma mescla de medo e respeito. Em cidades interioranas estes dois atributos são suficientes para o convívio e a trégua social.
O primeiro desaparecimento foi da filha do pastor. Causou um reboliço sem tamanho na cidade. Ele, morando sozinho, com certeza, pensavam todos, corria um risco enorme. A modernidade chegando como ave de rapina.
Para ele, isto não importava tanto. Vivia na sua. Era suficientemente discreto. Um tanto insensivel.
Viam-no de quando em vez no alto da montanha com uma lanterna enorme na mão. Portava também uma varinha metálica. O comentário rondava em torno da procura de diamante e ouro.
Por esta razão seus vizinhos declararam não vender suas terras por dinheiro nenhum. Na montanha havia uma gruta assustadora. Nenhum aventureiro conseguiu conhecê-la totalmente.
Alguns, os mais audazes, jamais voltaram. Suas curvas e subterrâneos os soterraram implacavelmente.
Quando a cidade acordou com os comentários que desaparecera também o filho do prefeito, associaram um encontro amoroso na gruta, perdendo-se numa novelesca história de amor.
O velho chegara bem cedo e não deu nenhuma importância ao fato. Sendo estrangeiro não queria envolver-se pessoalmente com nada e ninguém. Se ele desaparecesse não seria notado.
Tornou-se um a menos naquele lugar. Por que se preocupar com um ser tão estranho e arredio?
À noite saiu da gruta um imenso objeto não identificado, com apenas uma lanterna acesa e uma antena de detecção espacial. Na imaginação de alguns agricultores, o velho estrangeiro após uma caminhada, perdera a lanterna, entrando na gruta, sem retornar.
Quanto ao desaparecimento dos dois jovens, em seus dicionários não constava a palavra abdução.
Poeta, escritor, amante da música e da arte. Um ser humano muito simples em busca do significado profundo da vida, que é o amor, por onde a humanidade ganha sentido no exercício da fraternidade.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
CEGO, NEM TANTO
Foram os tempos em que seus olhos refletiam um brilho solar. Codificava uma mosca voando quilômetros de distância ou um abutre pousando no cume da mais afastada cordilheira.
Sua mente, esta sim, estetoscópio dos acontecimentos mais sutis e subliminares possíveis. Em 3D desde o real ao virtual. De todas as suas observações sensíveis ou ultra reconhecidas, conta-se de seus diálogos familiares com sua esposa. Esta, caseira, récem batizada num Igreja bem alicerçada de um conteúdo pragmático. Pastores que outrora vendiam picolés ou trabalhavam em construções, agora iluminados pelo nome daquele que tudo pode, enchiam os dias de semana aos ouvidos ansiosos e poucos reflexivos.
Conserva-se deste antigo senhor, na memória, suas palavras inteligentes sobre este determinado grupo religioso, cujo nome pode ser qualquer nome, no âmbito xicoanisiano, de pequenas igrejas sendo grandes negócios.
Este senhor sabia que a ocasião só não faz o ladrão, porque ele já nasce pronto, mas é permissivel ao mesmo e que Ali Babá está sempre de prontidão à espera de seus quarenta primeiros ladrões. O abracadabra era apenas uma questão de abrir o santo livro, como se derrama um jogo de tarô.
Porém, um muro se levantava sobre seu poder familiar, erguido pela libertação feminina em voz ativa desde Paris até onde se diz. Assim a igreja foi crescendo á medida dos tolos, dos sofridos, dos boçais, dos ingênuos e dos tropeços de cada um enquanto a alma fosse pequena.
O velho de olhos luminosos e espírito aguçado de tudo fez para mostrar à sua companheira o caminho do disparate diante da verdade heraclitiana sob a deusa Artêmis. O abuso da fé, a confiança do rebanho, a obediência cega, a lavagem cerebral são mais fortes que uma voz profética no deserto de um lar.
Assim instalou-se um raio intransponivel entre a luz e a escuridão. Os poucos espaços restantes ficaram em segunda mão nos espaços vazios entre o fim da tarde e a chegada da noite ou o último suspiro da madrugada diante do clarão diurno.
Os anos passaram como labaredas de fogo envelhecendo os anfitriões, os móveis, as paredes da casa. De um, com tão pouco de luz na mente esvaiu-se o resto pelo cotidiano.
Do outro, como num palco em fim de cena, foram-se apagando os últimos holofotes de seu olhar vivaz, mas a mente refletia como os antigos faróis de Alexandria assim como os conhecimentos secretos de sua biblioteca extinta.
Numa linda manhã de domingo, reaparecida sob a claridade do sol, a notícia das primeiras páginas dos jornais anunciavam a vergonha e a robalheira daqueles ditos religiosos.
O escândalo era um pequenino atrium diante da gruta de Ali Babá. Dólares esvoaçando por praias paradisíacas e paraisos financeiros, entre outras coisas bem piores.
Um velho espreguiça numa cadeira de encosto e balanço. Uma senhora ronda sem nada saber por uma casa.
De que adianta agora indagar quem era cego ou não? A vida separa antes da hora e na última hora estende sua mortalha.
Sua mente, esta sim, estetoscópio dos acontecimentos mais sutis e subliminares possíveis. Em 3D desde o real ao virtual. De todas as suas observações sensíveis ou ultra reconhecidas, conta-se de seus diálogos familiares com sua esposa. Esta, caseira, récem batizada num Igreja bem alicerçada de um conteúdo pragmático. Pastores que outrora vendiam picolés ou trabalhavam em construções, agora iluminados pelo nome daquele que tudo pode, enchiam os dias de semana aos ouvidos ansiosos e poucos reflexivos.
Conserva-se deste antigo senhor, na memória, suas palavras inteligentes sobre este determinado grupo religioso, cujo nome pode ser qualquer nome, no âmbito xicoanisiano, de pequenas igrejas sendo grandes negócios.
Este senhor sabia que a ocasião só não faz o ladrão, porque ele já nasce pronto, mas é permissivel ao mesmo e que Ali Babá está sempre de prontidão à espera de seus quarenta primeiros ladrões. O abracadabra era apenas uma questão de abrir o santo livro, como se derrama um jogo de tarô.
Porém, um muro se levantava sobre seu poder familiar, erguido pela libertação feminina em voz ativa desde Paris até onde se diz. Assim a igreja foi crescendo á medida dos tolos, dos sofridos, dos boçais, dos ingênuos e dos tropeços de cada um enquanto a alma fosse pequena.
O velho de olhos luminosos e espírito aguçado de tudo fez para mostrar à sua companheira o caminho do disparate diante da verdade heraclitiana sob a deusa Artêmis. O abuso da fé, a confiança do rebanho, a obediência cega, a lavagem cerebral são mais fortes que uma voz profética no deserto de um lar.
Assim instalou-se um raio intransponivel entre a luz e a escuridão. Os poucos espaços restantes ficaram em segunda mão nos espaços vazios entre o fim da tarde e a chegada da noite ou o último suspiro da madrugada diante do clarão diurno.
Os anos passaram como labaredas de fogo envelhecendo os anfitriões, os móveis, as paredes da casa. De um, com tão pouco de luz na mente esvaiu-se o resto pelo cotidiano.
Do outro, como num palco em fim de cena, foram-se apagando os últimos holofotes de seu olhar vivaz, mas a mente refletia como os antigos faróis de Alexandria assim como os conhecimentos secretos de sua biblioteca extinta.
Numa linda manhã de domingo, reaparecida sob a claridade do sol, a notícia das primeiras páginas dos jornais anunciavam a vergonha e a robalheira daqueles ditos religiosos.
O escândalo era um pequenino atrium diante da gruta de Ali Babá. Dólares esvoaçando por praias paradisíacas e paraisos financeiros, entre outras coisas bem piores.
Um velho espreguiça numa cadeira de encosto e balanço. Uma senhora ronda sem nada saber por uma casa.
De que adianta agora indagar quem era cego ou não? A vida separa antes da hora e na última hora estende sua mortalha.
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