domingo, 12 de fevereiro de 2012

ET'S À VISTA

Vivia como um ermitão em um castelinho antigo, numa chácara distante aproximadamente duas léguas da cidade. Não possuía automóvel. Uma charrete puchada por uma parelha de cavalos transportava-o como único meio de locomoção.
Chegou naquela região num fim de primavera, quando o verão começava a varrer as útlimas flores. Acredita-se que veio de taxi. Apenas escutaram um barulho de carro. Morou por uns tempos no segundo andar da pensão.
Depois de muito pesquisar, comprou aquela propriedade. Aos poucos montou seu recanto solitário.
Dedicou-se a empreendimentos inteligentes como criação de peixes, rãs e cabras. Presume-se que vendia-os para fornecedores de grandes centros. Não se sabe como.
Sua fisionomia dava uma mescla de medo e respeito. Em cidades interioranas estes dois atributos são suficientes para o convívio e a trégua social.
O primeiro desaparecimento foi da filha do pastor. Causou um reboliço sem tamanho na cidade. Ele, morando sozinho, com certeza, pensavam todos, corria um risco enorme. A modernidade chegando como ave de rapina.
Para ele, isto não importava tanto. Vivia na sua. Era suficientemente discreto. Um tanto insensivel.
Viam-no de quando em vez no alto da montanha com uma lanterna enorme na mão. Portava também uma varinha metálica. O comentário rondava em torno da procura de diamante e ouro.
Por esta razão seus vizinhos declararam não vender suas terras por dinheiro nenhum. Na montanha havia uma gruta assustadora. Nenhum aventureiro conseguiu conhecê-la totalmente.
Alguns, os mais audazes, jamais voltaram. Suas curvas e subterrâneos os soterraram implacavelmente.
Quando a cidade acordou com os comentários que desaparecera também o filho do prefeito, associaram um encontro amoroso na gruta, perdendo-se numa novelesca história de amor.
O velho chegara bem cedo e não deu nenhuma importância ao fato. Sendo estrangeiro não queria envolver-se pessoalmente com nada e ninguém. Se ele desaparecesse não seria notado.
Tornou-se um a menos naquele lugar. Por que se preocupar com um ser tão estranho e arredio?
À noite saiu da gruta um imenso objeto não identificado, com apenas uma lanterna acesa e uma antena de detecção espacial. Na imaginação de alguns agricultores, o velho estrangeiro após uma caminhada, perdera a lanterna, entrando na gruta, sem retornar.
Quanto ao desaparecimento dos dois jovens, em seus dicionários não constava a palavra abdução.

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