Dez horas em ponto. Setenta e nove mil e duzentos segundos de um dia! O casal recostado na cama em frente ao notebook: "meu bem, como é amor em francês?" Acessam o google. Antigamente quem sabia mais era o João Sabe Tudo. Este tempo passou. Época do esperto Pedro Malasartes ou das histórias de Dom Ratão. Agora é um clique e pronto. O mundo desaba aos seus pés. "Amour, amore, love.... seja lá o idioma que queira dos lugares mais inóspitos do planeta, com certeza há uma tradução para esta complicada palavra de tão simples que se tornou.
O navegar por mares nunca antes navegados, os levou ao extremo cansaço. A ocasião faz o ladrão. Travesseiro cheirando jasmim, colcha limpinha, colchão anti-dores-lombares, pálpebras pesadas são os ingredientes necessários para que o sono feche suavemente a porta do quarto.
O notebook ergue entre os dois uma muralha virtual. No outro dia acordam apressados. Cada um preenche o seu tempo separado. Enquanto um degusta o outro se desenha em frente ao espelho.
Enquanto um procura pelas chaves do carro, a bolsa de um outro se abarrota.
Na tela do notebook o relógio humano da China já passou em muito as casas de um bilhão. Amor em chinês?

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