Poeta, escritor, amante da música e da arte. Um ser humano muito simples em busca do significado profundo da vida, que é o amor, por onde a humanidade ganha sentido no exercício da fraternidade.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
PSICOAMOR
Não podemos afirmar pelo relato deste acontecimento que Rubem era um péssimo pai de família, conforme o dito popular. Da forma como era amado e inclusive reverenciado em todos os seus círculos sociais, não levantava a mínima suspeita de sua forma de agir. Sei que sua curiosidade, caro leitor, ficará cada vez mais aguçada no decorrer de cada linha deste texto. Ele poderá parecer a cada momento como uma estrada sem fim. Empoeirada, sob um sol abrasador de início de verão. Daquelas em que o viajante vai andando pela expectativa de encontrar um ponto final, com uma casinha e no mínimo uma moringa d'água para extinguir a sede e a estafa.
Não posso lhe dizer de fatos passados do referido cidadão, mas posso descrever seu comportamento a partir de uma terrível dor de cabeça que lhe acometeu por volta das sete da noite.
Entrou apressadamente por um viés de corredor em direção à gôndola de analgésicos. Dores das cochichinas por ali seriam extirpadas a tiros de aspirinas, dipironas e todas as suas primas reunidas em tirinhas de plásticos.
Foi quando surgiu a linda morena com um sorriso de esmeralda e uma voz sinuosa de turmalina. Neste momento as dores ficaram para os dias de efeito estufa e para as tardes alongadas por estresses.
A conversa rodopiou por meia hora como uma valsa lenta e antiga de salão. O encontro ficou marcado para um sábado no parque. Ele, agora, Estevão. Ela como sempre Marta. Ele, com documentos trocados. Ela bem vestida e mais bela que a própria paisagem.
Foram seis meses de convívio. O bastante para tirar a tampa da panela e ver o que havia por dentro. No início, a descoberta não foi fácil para ela. Com o tempo, o costume, numa luta desesperada contra seu próprio pensamento, arriscou os mais escondidos percursos e distantes lugares, para amortecer a liberdade com a libertinagem.
Sim, ela já sabia onde ele morava e que seu nome era Rubem, porém Estevão de final de semana e de lugares remotos. Uma aventura mais que delirante, estonteante. Algo que nenhum cineasta jamais pensara. Nem algum escritor se atrevera a relatar, pois não era um caso comum entre amantes.
Claro, que ela também estava informada de tudo sobre sua vida, sua família, seu trabalho. Aquele era Rubem. Acontece que Estevão era solteiro, aviador e campeão de luta livre.
Foi quando seu celular tocou. Não! Ela nem podia imaginar uma coisa destas. A mulher daquele Rubem, por uma troça do destino, havia sido atropelada. Agora sim, era Estevão que poderia chorar a sua ausência, num voo livre.
Falta que Marta julgava bem simples preencher. Estevão a partir deste momento não se lembrava mais de Marta. Ele só gostava de jogar quando o jogo era proibido.
Marta voltou a comprar mais filmes de ação para encher a sua casa e tentar em vão esvaziar sua volúpia.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário