sábado, 24 de novembro de 2012

ANTES QUE TERMINE O DIA

Não é a dança dos astros nem a música das esferas platônicas o que mais me empolga. Quiçá sea umas unhas pintadas com suas extremidades blancas, façam o movimento orquestral mais singelo e como dez varas de condão despertem a fonte de minha inspiração. Não é por ventura o olhar, o menor, que percebe o todo, o maior? E que são dois olhos, senão muito menos que duas conchas do mar? Porventura não é a intuição, a nossa menor porção, que percebe a maior adivinhação de nossa vida? E o que é a intuição, senão um lugar sem lugar algum? Ora direis que o universo é imenso! Ora direis que a eternidade é infinita! Ora direis que houve em vossa vida uma estrada sem fim! Ora direis que não há paisagem no deserto! Mas não poderá ser apenas uma estrela no céu, aquilo que mais nos encanta de todo o universo? E quantos momentos passageiros ficaram guardados no átrio de nossa recordação? E quantas veredas laterais pela intensidade que a percorremos, pairaram em nossas lembranças? E quantos mergulharam pelos labirintos das brumas? Quem é o maior entre os homens, senão aquele que se faz menor e se debruça sobre si mesmo para estender suas mãos ao seu próximo necessitado? Por acaso não sabeis que as orações mais consideradas pelo Eterno, não são aquellas sistematizadas nos grandes livros das religiões, mas são as que nascem naturalmente no coração? Sabeis que nos embalos das horas há minutos que son flashes eternos. Cairam as pedras dos templos, mas não se perderam as enseñanzas!

Nenhum comentário:

Postar um comentário