Poeta, escritor, amante da música e da arte. Um ser humano muito simples em busca do significado profundo da vida, que é o amor, por onde a humanidade ganha sentido no exercício da fraternidade.
sábado, 1 de dezembro de 2012
O susto pelo vão da porta/quarto capítulo
Neste quarto episódio referente à vida de Vasquez, aparece um outro personagem que à primeira vista não vinha à luz na estória. De qualquer forma ele estava embutido nela, logo lá no seu finalzinho. Bem disfarçado pois não podia aparecer completamente. A bem da verdade, um musgo escondido entre as ranhuras do edifício.
Estórias de blogueiros não soelen ser como as dos livros que você vai folheando em linha reta. Aqui, torna-se necessário um recurso de memória paginal. Busque a primeira narração com o título Ressurreição dos escombros, passe pelo Fantasma engavetado, em seguida pela terceira estória, para finalmente chegar ao aconchego deste momento. Não é assim na vida? O dia que vivemos hoje é uma sequência dos dias anteriores. Se as pessoas tivessem esta compreensão descobririam facilmente como é amplo o universo. Olhariam uma árvore e começariam a perceber o arvoredo que foi ontem, a semente que foi anteontem. Aprenderiam uma das máximas de Abraão: olhar por cima das estrelas. Isto é, perceber com mais amplitude. Aumentar o raio da visão.
Quem é este novo personagem? Pois bem, Juninho. Um rapaz magro e sardento que apesar das experiências de suas quase mil e quinhentas masturbações, com certeza não estava totalmente preparado como uma rocha se depara dia a dia com as violentas vagas do mar.
Juninho viu! Viu o quê? Viu Vasquez saindo de mãos dadas com a pomba gira oxigenada da sala dos fundos do IML. Além do envelopado encontrava-se no instituto mais um funcionário. Vocês não tinham conhecimento disto. A situação por lá estava muito complicada. Trocaram o sexto chefe e estava para chegar o sétimo. Parece conta de mentiroso. Uma questão de brigas entre deputados disputando palmo a palmo o terreiro da máquina pública.
Houve uma troca completa de funcionários devido a este fenômeno político. Eles todos estavam ainda em casa roncando. Sabiam que chegar cedo demais não é decente quando se ocupa um cargo de funcionário público. Devido a isto, pensaram em chegar depois das dez. Tomariam um cafezinho. Bateriam um bom pago. Almoçariam em seguida. Continuariam pela tarde na docilidade do ócio do ofício de seu trabalho pleonástico.
Juninho não era parado em regras sociais estabelecidas. Aportou cedo como um navio pirata aparece de surpresa no cais. Mas o problema é que viu! Aos ver os dois fugindo, testemunhou também a última cena estarrecedora. Foi quando Vasquez olhou para trás, como uma espécie de adeus ao ambiente, com o bocão aberto faltando uma dúzia de dentes. Seus lábios vermelhos tingidos por um batom de terceira, com a bocarra escancarada. Para Juninho foi o mesmo que estivesse visto abertas as portas do inferno.
Mesmo com as pernas bambas tentou sair depressa. Na sala esbarrou no sétimo chefe que acabara de entrar com uma pasta vazia na mão esquerda e um cigarro apagado na mão direita. Saiu de banda como quem dançasse um tango ao som de um xaxado e Juninho vazou. Caiu fora como a seta que Artemis jamais conseguira jogar.
Entrou voando na divisão de pessoal do estado, dirigindo-se à chefia diretamente, sem pedir licença e sem apresentar o passaporte. Gaguejando e gesticulando como um toureiro español tentou com todos os seus recursos explicar o que havia acontecido no IML. O chefe do pessoal morria e voltava a viver de rir. Explicou para o pobre sardento que não havia condição nenhuma de fugirem dois seres daquele lugar, uma vez que estavam todos mortos. Neste momento, Juninho foi a mil. Todos mortos? Então a coisa é bem mais complicada do que lhe parecera. Não eram ladrões?
Diazepan, diazepina, valium, valix, somalium, rivotril não foram suficientes para colocar o atordoado rapaz nos trilhos deste mundo.
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