terça-feira, 22 de agosto de 2017

Eu mesmo, Fernando!

Navegar é preciso, como dizia Fernando! Eu, pessoalmente navego na imprecisão enquanto vivo, pois viver não é preciso, no sentido de precisão, bem o disse Fernando! Digo aos meus botões: viver é improviso! É necessário viver, porém, não é preciso, pois, como controlar o acaso se não conhecemos seu leme? O mar é imenso, mas no viver me condenso! Imensidão se mede com instrumentos, com bússola, astrolábio, com o estudar dos ventos. Viver, não se mede e se enganam aqueles que a ele acrescentam os anos! Viver, se vive quando se movimentam os aeroplanos dos pensamentos! No barco quanto mais se alinha a proa, melhor se cortam as águas! Mas como tornar a vida melhor, e dizer que a existência é boa, secando os prantos das mágoas? Do barco são conhecidos seus conveses, mas do viver pouco sabemos de seus vieses! O barco tem seus compartimentos, o viver são blocos isolados de sentimentos! O barco tem no casco sua amurada, o viver é todo ele sua própria morada! No barco, bordo é simetria e depende do olhar do navegador! No viver, me acordo todos os dias, todos eles diferentes, em suas formas, surpresas, ou seja lá o que for! O barco tem suas balizas que sustentam a parte de cima! Viver tem seus deslizes e sua beleza está em não ter métrica ou rima! O barco tem seu costado e como medir sua flutuação. Viver, muitas vezes é um desencontrado momento que surge após um encontro dependendo da natureza da situação. No barco, o calado indica o que está em submersão! Para viver não se usa alguma medição! Não se sabe corretamente o que paira lá no fundo! Viver é um mistério de outro mundo! Há precisão no navegar. Não há precisão no viver. Navegar depende do intento e da direção. Muitas vezes há mais viver, caminhando no acostamento ou na contra mão.

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