Poeta, escritor, amante da música e da arte. Um ser humano muito simples em busca do significado profundo da vida, que é o amor, por onde a humanidade ganha sentido no exercício da fraternidade.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
SEUS CONSELHOS
Permita-me que leve suas palavras como pólens e as jogue no Jardim das Esperanças,
para que elas se transformem em flores e voem pelos intermitentes voos dos colibris a todos os outros jardins, daqueles que abrem pétalas nos corações dos homens empobrecidos pela dor.
Deixe-me que as regue com as águas mais limpas do meu manso lago, onde cairam minhas lágrimas durante anos, como chuva de outono, mas que não fizeram ondas gigantescas nem tsunamis sobre outrem.
Foram apenas círculos que do centro à perferia se transformaram em girassóis esperançosos em encontrar as estradas dos astros e as luzes das estrelas.
Conceda-me a licença de adubá-las com meus poemas antigos, daqueles quando no alvorecer de minha mocidade embalava com os nerudas e os pessoas os encontros dos sábados à tarde.
Daqueles finais de semana, quando éramos todos jovens e sonhávamos um mundo novo, um povo farto, um país rico, mas que quase todos morreram ao som dos fuzis dos militares enlouquecidos, tresloucados, que se alinhavam por trás de suas armas e não sabiam sorrir para a esperança.
Suas palavras sagradas me sacudiram de um sono mortal, de uma lança mortífera que atravessava a minha alma, a minha casa, o meu quintal.
Arma de guerra que fechava as cortinas de minhas janelas e que assim emudecidas desbotavam minhas retinas.
Palavras de mansidão, macias como a textura externa dos pêssegos na sua devida estação, balançando de leve na gangorra de galhos ainda orvalhados.
Permita-me que nunca me esqueça delas.
Que o grande sono como mortalha cobre de fuligem a nobreza dos metais, não as possam atingir jamais.
A sua permanência, a sua presença, o seu encanto ornamentam no sotão de minha alma, uma sala de jantar, onde a transcendência não se desencanta com a imanência.
Levarei suas palavras para onde for.
Haja garimpo ou não, elas serão ouro, serão tesouro, que uma chave secreta guardará em meu coração; mas uma vez aberto, como uma tocha olímpica passa de mãos em mãos, abrirá também outros corações.
Elas me vestirão de gala por mais simples que sejam minhas vestes.
Elas me alimentarão plenamente mesmo que tenha na mesa um único grão.
Elas encherão meus dias de sóis, mesmo que o tempo se feche e a chuva seja a única realidade daquele dia.
Por elas serem sábias como as palavras das antigas profecias, elas são sagradas e ocupam o altar supremo onde são celebradas as inspirações que orientam as asas das grandes intuições e os sentidos das mais sublimes poesias.
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