Poeta, escritor, amante da música e da arte. Um ser humano muito simples em busca do significado profundo da vida, que é o amor, por onde a humanidade ganha sentido no exercício da fraternidade.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
UNIVERSO PARALELO?
A noite desceu seu manto como uma linda mulher desliza seus cabelos sobre o ombro quando nem ainda a tarde é noite. Uma brisa suave navega pelas ruas e acaricia as folhagens das frondosas árvores, abrigos de pardais da última hora. Uma lua grávida rompe o horizonte como um espelho brincando de esconder com a bruma. Os telhados das mansões são frios e distantes uns dos outros. Os carros silenciosos orlam o estacionamento como um colar de pérolas. Deslancha a primavera.
Diego chega cansado após um exaustivo dia de trabalho. Desamarra o nó da gravata, come um fast food com um suco de maracujá e prende seus olhos na tevê. Imagens que sobrepassam a outras imagens como folhinhas em antigos calendários interioranos. Estica seus pés na poltrona e entrega-se ao mais doce sono do mundo.
Vê-se em outro universo, não paralelo, porém uma tangente a este. Casas que são feitas de papelão e um fogo intenso vai devorando todas elas com suas chamas volupsiosas como dançarinas de um sultão do Saara.
Carros feitos de plásticos que se perfilam nas avenidas de pedras sabão. Um ou outro veículo também vai se diluindo sobre a chama do mesmo fogo, mas de uma diluição mais lenta que a das casas. Outros carros continuam extáticos em seus estacionamentos, mas dentro de determinado tempo também serão consumidos pelas mesmas chamas.
Árvores de poliuretano à espera de uma primavera de bronze, também ardem sob o precipitar daquelas mesmas chamas. Algumas agora, outras depois. Mas nenhuma delas consegue escapar deste destino implacável.
As estações do ano são de bronze, enxofre, sal e mercúrio. Elas se sucedem, sendo que uma devora a outra, como no sonho do faraó diante de José, as vacas e as espigas devoradoras não perdoam a fragilidade das mais fracas e secas.
Os homens são manequins. São bonecos de plásticos, embora belos mas sem discernimento algum. Seus corpos bem esculpidos estão expostos não somente nas vitrines, mas dentro dos carros, dos lares, das praças e das salas de ofício.
Eles são feitos de uma substância mais frágil que das casas, árvores ou carros. Vivem alguns minutos somente e mal desaparecem apenas pelo calor deste fogo, bem aparecem outros, talvez pelo calor da outra extremidade deste mesmo fogo.
Neste mundo tudo é substituível por outro objeto lançado no seu ermo oceano existencial. Certamente que leis universais ali estão presentes. Por exemplo, aquela de que na natureza nada se perde, nada se cria e tudo se transforma. E se transforma em tudo que desaparece da mesma forma e reaparece em outros aspectos que serão dizimados pelo tal fogo devorador.
Há manequins que pela beleza corpórea ou pelo poder material de onde foram alojados por tal referida força, possuem um semblante artificial de superioridade sobre os demais, mas são triturados sem piedade pelo mesmo abrasador e perpétuo fogo.
É um universo de faz de conta. Um mundo que não existe, pelo simples fato de que tudo não perdura por muito tempo e que todas as coisas tem seu espaço/tempo determinado. Um mundo de fumaça no ar, pois tendo em vista que nada permanece é prudente conceber que cada coisa é como um fantasma, um objeto do nada, uma ilusão de ótica, um maya de percepção.
Diego acorda subitamente, são duas da manhã. De que manhã? De que mundo? De quem? Quem é quem neste mundo?
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